Flandres: independência à vista?

FlandresQuando se fala em separatismo na Europa, recordam-se sempre os casos da Catalunha, do País Basco ou da Escócia. No entanto, na Bélgica há muito que crescem ideias de independência na Flandres e a cisão já fez com que o país estivesse 541 dias sem Governo, algo absolutamente inédito na História.

Além da região da capital Bruxelas, a Bélgica tem duas regiões com ritmos económicos e identidades culturais diferentes: de um lado, a Flandres – região mais rica e mais populosa, cuja maioria da população é de origem neerlandesa e com cidades como Antuérpia, Gante e Bruges – e do outro lado a Valónia – região mais pobre, cuja maioria da população é de origem francófona e com cidades como Charleroi, Liège e Namur.

As eleições legislativas de 13 de Junho de 2010 marcaram um novo capítulo nesta tensão. O NVA (Partido Nacionalista Flamengo) ganhou as eleições, mas apenas conquistou 27 dos 150 lugares do Parlamento, o que significava que precisava de uma coligação. Na Valónia, o partido com mais votos foi o Partido Socialista e os avanços e recuos nas negociações fizeram com que a Bélgica estivesse sem Governo durante 541 dias.

Em 2014, a Bélgica voltou a ir a eleições e, pela primeira vez em 25 anos, os Socialistas ficaram de fora do Governo graças à coligação entre 3 partidos flamengos. Os Ministérios do Interior, da Defesa, do Funcionalismo Público e das Finanças são liderados por ministros militantes do NVA, o partido que mais clama pela independência da Flandres.

Descomplicador:

Apesar de a situação estar mais estável actualmente do que em 2010-2011, não é de subestimar os ideais separatistas caso haja um referendo à independência da Catalunha e o “sim” ganhe. O Governo é na sua maioria flamengo e a Flandres possui um amplo poder económico quando comparado com a Valónia. Uma vitória de um dos movimentos separatistas da Europa pode ser o alento de que o NVA precisa para iniciar o processo de independência.

xusvgz@vomoto.com'
Publicado por: Francisco Mendes

22 anos, natural de Moura, no Alentejo. Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Foi Director de Programas e Director-Geral da ESCS FM em 2011/2012 e 2012/2013 e é actualmente Director de Correcção Linguística da ESCS MAGAZINE

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