Clima de tensão em Moçambique cresce

RenamoMoçambique vive períodos de instabilidade política motivada pelo não reconhecimento dos resultados das últimas eleições gerais pelo principal partido da oposição, a Renamo (Resistência Nacional Moçambicana). A situação arrasta-se desde o dia 15 de Outubro de 2014, data das eleições que deram a vitória à Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique).

A Renamo pretende propor ao parlamento que as regiões onde ganhou sejam reconhecidas como regiões autónomas. A Frelimo já fez saber que muito provavelmente chumbará este projecto caso ele avance.

A tensão no país é tal que o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, afirmou há meses atrás que, caso a situação persista, irá ignorar o parlamento e tomar o poder pela força através de acções de desobediência civil no norte e centro de Moçambique.

O director do Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE) de Moçambique, Luís de Brito, já veio a publico dizer que a falta de saídas políticas para a crise abre espaço para a guerra no país. Luís de Brito questiona: “Se não é possível aprovar [as regiões autónomas], qual é o outro caminho para lutar por essa solução?”. O próprio dá a resposta: “Pelas armas”. O investigador considera que isto é uma tentativa da Renamo de “entrar no jogo de forma normal”, mas que a posição da Frelimo “tornou o choque quase inevitável”.

Descomplicador:

Moçambique viveu uma guerra civil que durou de 1977 a 1992 e que fez mais de 1,5 milhões de refugiados moçambicanos. Em 2012, o clima deteriorou-se devido a divergências entre a Renamo e a Frelimo na composição da Comissão Nacional de Eleições. Em Abril de 2013, ataques da Renamo na zona centro do país causaram a morte a seis pessoas. Em Outubro do mesmo ano, a Renamo anunciou o fim do Acordo de Paz de 1992. Actualmente, a tensão parece ser cada vez mais forte e teme-se novo conflito armado.

xusvgz@vomoto.com'
Publicado por: Francisco Mendes

22 anos, natural de Moura, no Alentejo. Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Foi Director de Programas e Director-Geral da ESCS FM em 2011/2012 e 2012/2013 e é actualmente Director de Correcção Linguística da ESCS MAGAZINE

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