Jornadas Parlamentares do PSD viraram tribunal de Passos Coelho

Foto: PSD

Nos dias 2 e 3 de Março os deputados do PSD reuniram-se no Porto, no âmbito das jornadas parlamentares do partido. O centro de congressos da Alfândega, na cidade invicta, foi o local escolhido para um evento que contou, para além de nomes ligados ao Partido Social Democrata, com várias personalidades ligadas a associações nas áreas do calçado e têxtil, sectores que historicamente se têm distinguido na criação de postos em Portugal e especialmente ligados ao norte do país.

Numa semana em que muito se debateu sobre o desleixo do Primeiro-Ministro e líder do PSD, Pedro Passos Coelho, em relação ao pagamento de impostos à Segurança Social, entre 1999 e 2004, esta discussão foi também um prato forte servido na mesa das jornadas parlamentares. Em todos os discursos dos deputados a questão da evasão fiscal de Passos Coelho foi abordada, mas quase sempre num tom leviano e desculpabilizador para com o actual Primeiro-Ministro português.

De resto, Pedro Passos Coelho também aproveitou a oportunidade para se justificar aos portugueses. “Houve anos em que entreguei declarações e pagamentos fora de prazo e com juros, umas vezes por distracção e outras por falta de dinheiro. Ninguém espere que seja um cidadão perfeito”, atirou o Primeiro-Ministro no encerramento das jornadas parlamentares.

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O discurso de encerramento do líder social-democrata pautou-se por um registo ofensivo, em que disparou em várias direcções. José Sócrates e outras figuras da oposição socialista foram o principal alvo do ataque de Passos Coelho que não deixou ninguém sem resposta às críticas que lhe têm sido apontadas. ”Como Primeiro-Ministro nunca usei o lugar que tinha para enriquecer, prestar favores ou viver fora das minhas possibilidades”, apontou o actual Passos Coelho ao seu antecessor, José Sócrates, que se encontra actualmente em prisão preventiva. Num autêntico jogo de forças, Sócrates respondeu, em carta enviada ao Diário de Noticias, que Passos lhe preparou “um ataque pessoal, o que mostra o seu carácter e o quanto está próximo da miséria moral”.

Apesar da dificuldade em fugir a esta polémica que aquece o período pré-eleitoral para as legislativas 2015, o propósito destas jornadas parlamentares foi mesmo o desenvolvimento de estratégicas económicas para o presente ano. Com uma agenda exclusivamente económica, João Proença, antigo secretário-geral da UGT, e agora a exercer funções de assessor da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), foi convidado de honra do PSD para debater os desafios económicos do país, sobretudo ao nível da inovação tecnológica e criação de emprego e de uma economia mais competitiva.

Durante as jornadas parlamentares, passaram pela Alfândega do Porto empresários ligados a sectores ao sector têxtil e de calçado, vistos pelos deputados como um exemplo de sucesso nos propósitos defendidos ao longo dos vários debates e palestras realizados nestas jornadas.

Inevitavelmente, a polémica que envolve Pedro Passos Coelho acabou por ser o principal foco de atenção das Jornadas Parlamentares do PSD. Deputados e jornalistas esmiuçaram ao máximo a evasão fiscal  e o “mau exemplo de cidadania do actual Primeiro-Ministro”, sendo este o tema que marcou o evento, com constantes comentários e opiniões das personalidades do Partido Social Democrata, sobretudo em defesa e apoio do seu líder, contrariando as críticas e ataques da oposição e dos portugueses.

Descomplicador:

Passos Coelho aproveitou o facto de estar a “jogar em casa” para utilizar o ataque a José Sócrates como forma de defesa relativamente caso da Segurança Social

xsjtbq@anappthat.com'
Publicado por: João Pedro Óca

20 anos, natural da cidade alentejana de Serpa. Finalista de Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. Foi cronista no jornal Sport Alentejo e de momento participa num programa da estação ESCS FM e é redactor desportivo do site “Bola na Rede”. Colabora ainda com a Associação de Estudantes da ESCS.

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