As soluções de António Costa

Foi a partir da sede do Partido Socialista (PS) que foi transmitida, pela RTP 1, a entrevista de Fátima Campos Ferreira ao secretário-geral do PS, António Costa. Na entrevista, o líder do PS falou sobre o atual Governo, sobre o estado do país, sobre a Europa e sobre o programa do Partido Socialista e as “promessas” que pretende cumprir se ganhar as eleições legislativas.

Ao falar do estado atual do país, António Costa refere o país recuou dez anos em termos de riqueza produzida, vinte anos no emprego, trinta anos relativamente ao investimento e quarenta anos na emigração e aponta como principal causa de tudo isto uma “dose de austeridade brutal”. O líder do PS diz que o atual Governo quis ir além da Troika e do esforço exigido por esta, através do aumento dos impostos e de cortes na função pública. “Foram seis mil milhões para além daquilo que era preciso”, afirma António Costa e assim estabelece uma ponte para o nível de pobreza verificado no país, o baixo nível de investimento e de riqueza produzida. Como resultado “temos uma divida superior à que tínhamos no início do programa de ajustamento”, são as palavras do líder socialista.

António Costa entrevista

Apesar de se ter verificado um crescimento da economia do país em 0,9%, o líder do PS afirma ser necessária uma mudança na política económica: “é essencial uma rutura com esta política de austeridade e termos uma política amiga do emprego, da economia e das empresas.” Nas palavras de António Costa, o Governo de Passos Coelho “confundiu rigor com cortes de salários e pensões, confundiu reforma do estado com o desmantelamento dos serviços públicos, confundiu poupança com os cortes nos apoios sociais” e isso tem gerado pobreza e desemprego. A resolução passa pela criação de atividade económica, o aumento do salário mínimo, a reposição e aumento das pensões e dos vencimentos da função pública e o assegurar da capitalização das empresas.

António Costa distingue aquilo que pretende fazer, se o PS ganhar as legislativas, e aquilo que está a ser feito: com o atual Governo, o crescimento é feito através de uma política de austeridade, de empobrecimento e de desmantelamento do estado social; em alternativa, se vencer as eleições, o líder socialista promete uma via de crescimento com base no investimento e na qualificação (apostando na educação, na formação, na inovação e na ciência). “Eu faço compromissos para defender a Segurança Social (SS). Eu faço compromissos para defender a escola pública. Eu faço compromissos para defender o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Eu não faço compromissos para prosseguir esta política de austeridade nem para continuar a desarticular os nossos serviços públicos”, refere.

Relativamente à política europeia, António Costa acusa o Governo português de ter sido “submisso” quanto às leituras sobre o Estado português por parte de países, como a Alemanha. Para além disso, referindo-se ao Pacto de Estabilidade e Investimento, António Costa vê a necessidade de Portugal ter um governo que apoie a mudança e que tenha o investimento como prioridade ao invés de um governo que o desvaloriza. O líder do PS afirma que “a mudança política em Portugal ajudará a mudar o xadrez na Europa”, ou seja, as mudanças a nível nacional vão repercutir-se a nível europeu.

António-Costa-PS

O presidente da Câmara de Lisboa disse também ser necessário para a Europa “corrigir os defeitos de nascença do euro e reforçar a política de coesão” com o objetivo de ter uma moeda que gera prosperidade e assim corrigir os efeitos assimétricos das crises. António Costa fala da necessidade de uma aplicação das políticas orçamentais tendo em conta o ciclo económico e o nível de desenvolvimento do país. No seguimento, pegou no exemplo da Grécia: considera que a União Europeia (UE) tem de tratar o problema grego por ser também um problema europeu e que precisa de uma nova política porque “a Europa está a matar-se com esta política”, marcada pela “radicalização autoritária” que promove extremismos.

Quanto às sondagens para as legislativas, o PS encontra-se à frente da coligação PSD-CDS: “o que eu vejo nas sondagens é, em primeiro lugar, que a atual maioria deixou de ser maioria. Vejo em segundo lugar que mesmo a direita toda unida não bate o PS e vejo sobretudo uma coisa: a direita atingiu o seu máximo e dali não sai enquanto o PS tem um enorme potencial de crescimento”, explica o líder socialista. Fazendo uso das palavras de António Costa, “o maior desafio que os políticos têm na relação com os cidadãos é o da confiança e da sua credibilidade” e para as manter, os políticos não devem prometer mais do que podem cumprir, como fez Passos Coelho, e de forma a não cair no mesmo erro, o PS tem estado a desenvolver um estudo sobre o cenário macroeconómico para os próximos quatro anos para mobilizar e construir o programa de Governo (a apresentar no dia 6 de junho).

A polémica da dívida de Passos Coelho à SS não ficou de fora: António Costa diz que “quanto mais o primeiro-ministro fala, menos esclarece” e que a demissão do atual Governo não está nas mãos da oposição política; podia estar nas mãos do próprio Governo, podia estar nas mãos da Assembleia da República ou nas mãos do presidente da República. Sendo que nenhuma das partes procedeu à demissão, a decisão final está nas mãos do povo: “o caso está nas mãos dos portugueses porque estes perceberam tudo o que se passou e vão agir em conformidade com isso”, afirma o líder socialista.

Descomplicador:

António Costa admite ter uma “reação quase visceral” face à política de Passos Coelho e promete que vai combater a austeridade com base num crescimento económico assente no investimento. O aumento do salário mínimo nacional, a reposição e aumento das pensões e vencimentos da função pública, bem como a redução da taxa do IVA na restauração para 13%, são exemplos das propostas que o PS vai apresentar no dia 6 de junho no seu programa de Governo para as eleições legislativas.

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Publicado por: Filipa Mourão

20 anos, natural de Lisboa. Finalista de Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. Foi redactora na revista CAIS através do projecto CAIS-Lab (da ESCS) em 2013.

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