O Conflito da Ucrânia em 5 tópicos

Conflito Ucrânia

Passado mais de um ano desde que o ex-presidente ucraniano Viktor Ianukovich foi destituído após os protestos que tomaram a Praça da Independência, a crise na Ucrânia ainda se mantém viva. Aqui apresentamos cinco tópicos para ajudar à leitura dos acontecimentos e da presente situação da Ucrânia.

Perceber o passado A Ucrânia fez parte da União Soviética. Depois da sua queda, em 1991, a independência da Ucrânia foi referendada e 90% da população votou a favor dela. Porém, ao contrário de outras ex-républicas soviéticas que se juntaram à União Europeia, a Ucrânia manteve tendencialmente uma posição pró-russa.

Desde 1991, as permanentes tensões provocadas, ora por uma equidistância dos blocos, ora por um alinhamento pró-russo, originaram uma das situações políticas mais confusas dos nossos dias.

Crimeia

A questão da Crimeia A Crimeia é uma península historicamente ligada à Rússia, mas foi cedida à Républica Socialista Soviética da Ucrânia em 1954, como forma de comemoração dos 300 anos de um tratado que unia a Rússia à Ucrânia. Posteriormente, com o colapso da União Soviética, a Crimeia passou a fazer parte da Ucrânia independente, o que está na origem das tensões com a Rússia.

Se juntarmos aos factos históricos, a predominância da etnia russa neste espaço geográfico (58% da população) e ainda a presença e a riqueza de um subsolo de petróleo e gás natural, percebemos a importância estratégica da Crimeia para a Rússia.

O espaço geopolítico A Ucrânia fica literalmente e figurativamente entre a a Europa e a Rússia. Aliás, o próprio nome “Ucrânia” quer dizer fronteira, representando assim a divisão entre o ocidente e o leste – divisão esta que faz parte dos seus habitantes e que está no centro dos conflitos.

O desencadeamento do conflito actual: um resumo cronológico

Foi a 21 de Novembro de 2013 que o ex-presidente ucraniano pró-russo, Viktor Ianukovich, anunciou que ia abandonar um acordo que fortalecia os laços com a União Europeia, desencadeando os protestos que tomaram conta da Praça da Independência, em Kiev.

Os protestos foram aumentando até dia 20 de Fevereiro de 2014, quando mais de cem dos protestantes morreram, devido à intervenção armada de militares do governo. No dia seguinte, Ianukovich desapareceu de Kiev. Os protestantes tinham vencido e instalaram então um governo temporário.

No entretanto, a Rússia marchou para a península da Crimeia, com o pretexto da protecção dos russos étnicos. A Ucrânia declarou esta movimentação como uma invasão e os Estados Unidos da América e a União Europeia ameaçaram a Rússia com sanções económicas, se esta não retirasse as tropas.

A 16 de Março de 2014 a separação da Ucrânia foi referendada e mais de 90% da população da Crimeia votou para fazer parte da Rússia. Dois dias depois, o presidente russo, Vladimir Putin, anuncia a incorporação da Crimeia à Rússia – no entanto, a comunidade internacional não a aceita.

A 25 de Maio de 2014 foi eleito o actual presidente ucraniano, Petro Poroshenko. Este assina o mesmo acordo que meses antes Ianukovich não assinou com a UE. Kiev escolheu a Europa, provocando assim uma Guerra Civil.

NATOO último cessar fogo e últimos acontecimentos

No dia 12 de Fevereiro foi assinado um novo acordo de paz em Minsk, depois de os últimos terem falhado. Este entrava em vigor a 15 de Fevereiro. Durante esse dia foi maioritariamente cumprido, excepto em Debaltseve, em que os combates entre separatistas pró-russos e o exército ucraniano nunca chegaram a parar. Dias depois, o exército ucraniano cedeu e abandonou a cidade.

A 17 de Fevereiro a Ucrânia acusou a Rússia de sabotar o processo de paz, embora a Rússia tenha recusado sempre o seu envolvimento. No entanto, tanto Washington como a NATO dizem que há “milhares de soldados russos” na Ucrânia.

22 de Fevereiro – passou um ano desde a destituição de Ianukovich. Na Rússia o dia foi marcado por manifestações contra o que os russos consideram ter sido um golpe de estado. Na Ucrânia houve marchas comemorativas.

Os separatistas pró-russos avançaram para a cidade de Mariupol, enquanto o ocidente continua a ponderar mais sanções e o envio de armas e de ajuda militar.

Descomplicador:

A Ucrânia é um país dividido entre uma população pró-russa e pró-UE. Em 2013, a rejeição de um acordo com a UE por parte do presidente Viktor Ianukovich desencadeou meses de protestos até à sua destituição. Hoje a Ucrânia continua a sofrer as consequências, com combates entre separatistas pró-russos e o seu exército. Ao mesmo tempo é acompanhada por pressões externas das grandes potências ocidentais e da Rússia, que se separam cada vez mais, através de sanções e quebras de acordos.

xldaus@clrmail.com'
Publicado por: Marta Menezes Ventura

22 anos, natural de Lisboa. Finalista de Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. Durante o ano lectivo de 2012/2013 participou no Sala de Projeção, um formato da ESCS FM sobre cultura, composto por um directo semanal e um site. Em 2013/2014 foi coordenadora do projeto.

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