A nova esquerda

Tempo de AvançarO partido LIVRE e o movimento Tempo de Avançar têm objectivos comuns: pretendem pôr fim à política de austeridade, com a aplicação de uma política de desenvolvimento sustentável, e reestruturar as dívidas pública e privada. Tencionam diminuir a taxa de desemprego e o trabalho precário, inovar a Administração pública e centrá-la nos cidadãos. Mas, então, o que é que os distingue?

Tempo de Avançar é um novo movimento de esquerda do qual fazem parte quatro organizações políticas: LIVRE, Fórum Manifesto, Renovação Comunista e MIC-Porto. O movimento apresentou a sua candidatura às eleições legislativas enquanto “candidatura cidadã” com o suporte legal e estatuário do LIVRE, a única plataforma política apoiante constituída como partido. Ana Drago, um dos rostos da candidatura, considerou o movimento “uma forma de dar voz a quem não se vê representado nos partidos políticos”. A inovação do Tempo de Avançar é corroborada pelo grau de abertura à participação de todos os cidadãos insatisfeitos com o estado actual do país, independente da sua orientação política.

LivreO partido LIVRE é centro esquerdista e foi fundado por Rui Tavares, antigo eurodeputado pelo Bloco de Esquerda. Os seus princípios baseiam-se na igualdade, na liberdade, no socialismo, no europeísmo e na ecologia, entre outros. Apesar de não ter elegido deputados no Parlamento Europeu, nas eleições europeias de 25 de Maio, o LIVRE obteve 2,2% dos votos. Foi o sexto partido mais votado e havia sido efectivamente aprovado pelo Tribunal Constitucional apenas dois meses antes, a 20 de Março.

As negociações entre o Tempo de Avançar e o LIVRE tiveram início assim que os ex-bloquistas Daniel Oliveira e Ana Drago consideraram que o partido possuía capacidade eleitoral e governativa, que era capaz de transformar em votos as suas aspirações. Juntos pretendem que o PS olhe para a nova esquerda e estão dispostos a negociações com a bancada socialista.

 Será o LIVRE capaz de fazer avançar o Tempo de Avançar?

Descomplicador:

O Tempo de Avançar está juridicamente associado ao partido Livre porque a lei portuguesa não permite que movimentos não partidários concorram a eleições. A “candidatura cidadã” deve-se ao facto de não ser apresentada aos eleitores uma lista de candidatos. O processo de construção da lista é aberto e passa por eleições primárias.

xobrun@6paq.com'
Publicado por: Mariana Bandeira

22 anos, natural de Torres Vedras. Finalista de Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. Colaborou com o Oitava Colina e o seu gosto por política nasceu quando escolheu Ciência Política como disciplina no secundário

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