Bloco de Esquerda, versão 2015

Ano de 2015, ano importantíssimo do ponto de vista político, ano de eleições legislativas. Em finais de Setembro/início de Outubro realizar-se-á um acto eleitoral há muito esperado e que terá sempre muita repercussão no futuro do país. E para o Bloco de Esquerda? Como correrá o sufrágio?

Pois bem, é impossível fazer grandes exercícios de futurologia, mas torna-se evidente que este partido não se encontra com o fulgor e união doutros momentos. Mesmo depois da recente vitória do Syriza na Grécia, e quando se supunha que o Bloco poderia beneficiar com essa situação, a verdade é que os bloquistas não descolam nas sondagens, permanecendo um pouco em baixo. Todavia, ainda faltam vários meses para as Legislativas, e por isso mesmo está tudo em aberto. O partido tem sofrido uma grande reestruturação, os tempos em que Louçã era a grande cara do projecto já lá vão, a coordenação passou a ser repartida por 6 elementos (Catarina Martins, Pedro Soares, Pedro Filipe Soares, Joana Mortágua, Adelino Fortunato e Nuno Moniz).

Para muitos um maior pluralismo; para outros tantos um sinal de divisão interna; para outros a evidência de que o Bloco pode estar a caminho de uma ruptura definitiva. Qualquer tipo de coligação à esquerda com o PS continua a ser uma miragem, as críticas no seio do partido às políticas seguidas pelo Governo continuam a marcar a agenda bloquista, existe toda uma vontade de afirmação como o verdadeiro partido da esquerda portuguesa, na verdadeira acepção da palavra.

hh

Mariana Mortágua é a figura do momento no Bloco de Esquerda. Na retina ficaram as suas audazes perguntas a Ricardo Salgado e Zeinal Bava, nas recentes e mais do que polémicas comissões de inquérito parlamentar. Afinal de contas, estas questões acabaram por reflectir a postura do Bloco perante estes escândalos na sociedade portuguesa, postura essa muito crítica e sempre conotada com uma total oposição às privatizações e grandes negócios efectuados em Portugal.

Porém, a grande questão que se coloca é a seguinte: não conseguirá o Bloco de Esquerda tirar proveito do “efeito Syriza” na Europa? Não há memória de um contexto tão favorável às políticas de esquerda no velho continente, apesar do fracasso francês, só que para mal dos pecados do Bloco…as sondagens (sim, é verdade que as sondagens não podem ser tão levadas à letra) indicam que o partido tem muito que batalhar para alcançar um bom resultado nas Legislativas. E se esses eventuais maus registos se confirmarem? Serão um golpe fatal no partido? Com um Partido Socialista a não se afirmar, com um PSD que tem vida complicada pela frente face a estes 4 anos de Governo, não será esta uma oportunidade de ouro para o Bloco de Esquerda se afirmar totalmente? Veremos então aquilo que irá acontecer, logo num ano em que o mapa político português parece estar numa indefinição total.

Descomplicador:

Em ano de Legislativas e com a Europa em ebulição, em termos políticos, 2015 afigura-se como um ano crucial para o Bloco de Esquerda. Não existem certezas em relação ao partido, as dúvidas sobre se os bloquistas aproveitarão da melhor forma o reaparecimento da esquerda na Europa são muitas. Eis a encruzilhada para o Bloco, um desafio para o partido.

xlhvve@grandmasmail.com'
Publicado por: João Rodrigues

26 anos, natural das Caldas da Raínha. Finalista de Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. Foi coordenador de Desporto na ESCS FM no ano 2013/2014, mantendo actualmente um programa na grelha da rádio. É ainda repórter na JVG TV e sou redactor do site desportivo "Bola na Rede".

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *