Ambiente familiar para recordar Maria José Nogueira Pinto

Maria José Nogueira Pinto Ribeiro e Castro Guilherme Oliveira Martins

Na cave da Livraria Ferín, na Rua Nova do Almada, estranhos eram aqueles que nunca tinham privado com Maria José Nogueira Pinto, ou como seria a maior parte das vezes apelidada durante o final de tarde a “Zézinha”.

O Panorama não privou com a deputada centrista e social-democrata mas esteve na sessão promovida pelo deputado do CDS, José Ribeiro e Castro e que contou com o presidente do Tribunal de Contas, Guilherme Oliveira Martins e com Maria Adelaide Lucas Pires no dia em que se assinalava o 63º aniversário de Maria José Nogueira Pinto.

Dimensão humana e dedicação à causa pública

Maria Adelaide Lucas Pires destacou a sua dimensão humana, falando num “pragmatismo empreendedor” que “nunca cedeu à baixa politica” e que tinha na “excelente capacidade de gestão de recursos humanos uma das suas grandes qualidades”.

A amiga de Maria José Nogueira Pinto destacou ainda a marca que a deputada deixou em instituições como a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e na Maternidade Alfredo da Costa, afirmando que a antiga deputada colocava “todos os seus talentos ao serviço do bem comum”.

Guilherme Oliveira Martins reforçou também a dimensão humana da sua amiga e colega de faculdade, dizendo que “as suas decisões partiam da sua experiência humana” e que a Maria José tinha assim uma “distância funcional que lhe permitia decidir bem”.

O presidente do Tribunal de Contas (TC) afirmou ainda que “a Maria José tinha a capacidade de ter os olhos sempre abertos e estava assim atenta às necessidades do próximo”, falando ainda da “dimensão espiritual que lhe deu força até aos últimos dias”.

A sua importância no plano da Baixa-Chiado

Guilherme Oliveira Martins relembrou na sessão que tinha como pano de fundo o livro de Maria João Câmara, “Maria José Nogueira Pinto – Uma vida invulgar”, a “preponderância” da deputada centrista e mais tarde do PSD “no plano da Baixa-Chiado, cujos resultados estão ainda hoje a ser cumpridos como é o caso da Ribeira das Naus”.

Oliveira Martins afirmou que Maria José “não precisava da vida politica, mas gostava dessa vida”, dizendo que tinha “essa ambição”.

Nas suas lutas politicas, foi ainda referida a questão do aborto, com Maria Lucas Pires a relembrar um “mítico debate entre ela e a Zita Seabra”, mas onde se destacou a “honestidade intelectual com levou a cabo esse debate”, tendo lutado depois pelo reconhecimento de direitos do feto.

Nova administração da RTP pode resgatar propostas de Maria José Nogueira Pinto

O presidente do Tribunal de Contas disse durante a sua intervenção julgar “não estar a cometer uma inconfidência”, ao dizer que Gonçalo Reis, novo administrador da RTP lhe tinha dito “ter em conta o relatório acerca do serviço público” liderado por Maria José Nogueira Pinto após a morte de Helena Vaz Silva.

Oliveira Martins disse mesmo que se “o relatório tivesse sido levado em conta na altura, a RTP2 não continuava pelas ruas da amargura como continua actualmente”.

O presidente do TC depositou esperança na administração liderada por Gonçalo Reis para recuperar este relatório produzido em 2002.

Maria José Nogueira Pinto

“Acredito que a Maria José estaria com a maioria”

Em resposta a uma pergunta colocada no fim da sessão, José Ribeiro e Castro disse achar que “a Maria José estaria com a coligação, por acreditar que a solidariedade se faz com o nosso dinheiro e não com o dos outros”, sendo no entanto “uma voz critica, mas não uma dissidente”.

O deputado do CDS disse ainda que “há momentos em que desejava que a Maria José estivesse no Parlamento, para votar ao meu lado em muitas iniciativas que vão contra a maioria”, dando como exemplo a lei do “jogo online, contra a qual se bateu enquanto estava na Santa Casa”.

Ribeiro e Castro referiu-se ainda a Maria José Nogueira Pinto como a “deputada dos idosos”, revelando que um idoso lhe escreve “dizendo que sente falta da sua deputada”.

“Agradeço ao PSD tê-la candidatado”

Ribeiro e Castro falou ainda dos últimos tempos de Maria José Nogueira Pinto na Assembleia da República, agradecendo ao PSD o facto de ter candidato “Zézinha” depois de ter deixado o CDS, confessando ainda que de inicio Maria José “detestava o CDS, mas depois gostou muito e foi muito do CDS”, mas afirmando que nos últimos tempos a falha tinha sido do partido centrista.

O ex-presidente do CDS disse que foi “o PSD que lhe deu oportunidade de até ao fim dos seus dias lutar pelas suas causas”, referindo ainda Maria Adelaide Lucas Pires que “antes de partir a Maria José ainda ajudou a eleger a primeira mulher presidente da Assembleia da República”.

Jaime Nogueira Pinto esteve presente nesta sessão evocativa da sua mulher pedindo a palavra no fim para agradecer e para referir três das qualidades da sua mulher, “o não ter medo de nada, a grande liberdade dentro dos seus ideais e falta de tolerância para com as pessoas estúpidas”, arrancando risos à sala que ao longo da sessão ia abanando a cabeça como que a relembrar episódios que tinha vivido com Maria José Nogueira Pinto.

Maria José Nogueira Pinto Ribeiro e Castro Guilherme Oliveira Martins

Descomplicador:

Maria José Nogueira Pinto, ex-vereadora da Câmara de Lisboa e deputada pelo CDS e pelo PSD foi recordada numa sessão com Ribeiro e Castro, Guilherme Oliveira Martins e Maria Adelaide Lucas Pires, onde se destacou a sua obra social, a sua vida politica, o seu papel no plano da Baixa lisboeta e até mesmo uma possível recuperação de propostas pela nova administração da RTP

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *