Joana Amaral Dias e o Partido Trabalhista Português vão AGIR

“É contra o crime da austeridade que temos de agir” (Joana Amaral Dias)

Nos dias 21 e 22 de Março decorreu na Fábrica do Braço de Prata, em Lisboa, uma conferência internacional sobre criação de alternativas em Portugal e na Europa. Um dos principais objectivos foi a apresentação do programa do novo movimento partidário Agir, de Joana Amaral Dias. O Panorama assistiu às duas sessões de domingo intituladas “Sejamos realistas, exijamos uma outra política” e “AGIR e as eleições legislativas de 2015”.

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O primeiro painel contou com a presença de Eduardo Paz Ferreira, professor catedrático de Direito, que iniciou o seu discurso fazendo referência ao título da sessão. “O primeiro passo é exigir que haja política e o segundo passo é exigir que haja uma nova política”, afirmou. O autor da obra “Da Europa de Schuman à não Europa de Merkel” criticou a política por, nos últimos tempos, se cingir à “troca de insultos e insinuações”. Joana Amaral Dias concordou com o facto de o título não ser o melhor, ainda que tenha ajudado na escolha, pois garantiu que “não há política nenhuma neste momento”.

Paulo Morais, vice-presidente da Câmara Municipal do Porto de 2002 a 2005, condenou a corrupção sistémica do país e atestou que têm existido violações permanentes do contrato eleitoral. “Assistimos a um parlamento em que os deputados da maioria são claques do governo e os deputados da oposição são correias de transmissão dos seus partidos”. Na sua opinião, o problema constitucional português não se resolve com a criação de uma nova Constituição, mas com o cumprimento da que está em vigor. Na sequência desta intervenção, Manolo Monereo, da federação de partidos espanhóis Esquerda Unida, enumerou uma série de princípios em que esta nova política se deve centrar: “desglobalizar”, democratizar o poder, defender a soberania nacional, “desmercantilizar”, descolonizar e romper com o século euro-centrista.

Na sessão final de apresentação do programa do Agir, Joana Amaral Dias questionou-se sobre como é possível, no século XXI, um país europeu com a história civilizacional e os recursos que possui “não ter uma sociedade organizada”. A dirigente política quer aprofundar os mecanismos de participação política e assegura que “os portugueses não têm a memória vazia e lembram-se de que o “discurso do cofre cheio era o da ditadura de Salazar”, fazendo alusão à polémica afirmação de Maria Luís Albuquerque.

“O que temos de fazer em Portugal para ter o sucesso do Syriza e do Podemos é voltar a falar de assembleias populares. Basta acreditar num projecto”, afirmou o presidente do PTP, Amândio Madaleno.

Descomplicador

O movimento AGIR vai concorrer às próximas eleições legislativas em coligação com o Partido Trabalhista Português.

Joana Amaral Dias e Nuno Ramos de Almeida acusaram o Movimento Alternativa Socialista de instrumentalização e demitiram-se do “Juntos Podemos”. De seguida, formaram o AGIR, ainda aberto a colaboração com outros partidos políticos e movimentos sociais.

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Publicado por: Mariana Bandeira

22 anos, natural de Torres Vedras. Finalista de Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. Colaborou com o Oitava Colina e o seu gosto por política nasceu quando escolheu Ciência Política como disciplina no secundário

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