O que disseram os protagonistas sobre Manoel de Oliveira

Manoel de Oliveira

Manoel de Oliveira, cineasta português faleceu ontem, dia 2 de Abril aos 106 anos de vida. Num dia que marca a partida de uma das figuras maiores da cultura portuguesa, os principais protagonistas politicos e partidos do sistema português reagiram à partida do ícone do cinema nacional.

“O prestígio do seu nomes além fronteiras”

O Presidente da República, Cavaco Silva reagiu à morte de Manoel de Oliveira poucas horas depois da noticia começar a circular, e afirmou que “para além da sua qualidade artística, internacionalmente reconhecida e premiada com os mais importantes galardões, a obra de Manoel de Oliveira ficará para sempre como um testemunho inconfundível da cultura portuguesa, que ele soube interpretar como ninguém, tanto na sua dimensão popular, como na sua dimensão erudita”, dizendo ainda que “em 2009, na visita que fiz à Alemanha, tive ocasião de confirmar, numa exposição em Berlim sobre a sua obra cinematográfica, o prestígio do seu nome para lá das fronteiras do nosso País”, confirmando que o cineasta é “um exemplo para as novas gerações, por até ao final da sua vida ter tido projectos de futuro e ter sido sempre capaz de ultrapassar as dificuldades”.

“Portugal perde figura maior da cultura”

O Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho reagiu em nome do Governo ao dizer que “a sua capacidade de criação de novas linguagens cinematográficas e a sua paixão pela sétima arte projetaram Portugal no Mundo”, para além de garantir que “a sua obra continuará, certamente, a influenciar gerações de realizadores, actores, produtores e praticantes do cinema em geral” e dizendo que “o património cinematográfico de décadas de trabalho laborioso que nos deixa é hoje património de nós todos”.

“A sua obra permanecerá imortalizada”

O Partido Social Democrata reagiu através do presidente do grupo parlamentar, Luis Montenegro, que afirmou que “trata-se de uma grande perda para Portugal, de uma figura ímpar da cultura portuguesa e da cultura mundial, com um percurso reconhecido quer no plano nacional quer no plano internacional, que deixa a cultura portuguesa mais pobre”, acrescentando ainda que “estamos convencidos que ele hoje partiu, mas a sua obra permanecerá imortalizada para todo o sempre e será eterna no coração e no pulsar da vida dos portugueses”.

António Costa

“Absoluto mestre da sétima arte”

António Costa, secretário-geral do Partido Socialista, num comunicado difundido, disse “manifestar o seu mais profundo pesar pelo falecimento de Manoel de Oliveira, figura maior das artes e cultura portuguesa”, que “para além de um absoluto mestre da sétima arte é um nome que granjeou o carinho dos portugueses ao longo de uma carreira notável que fez dele uma referência de Portugal à escala internacional”. Costa e o Partido Socialista dizem ainda que “Oliveira deixa uma obra que perdurará para todas as futuras gerações que nela poderão reencontrar a essencialidade do ser português”.

“Mortal até o pó, mas depois do pó, imortal”

Foi com esta frase do Padre António Vieira que Paulo Portas terminou a sua mensagem de evocação de Manoel de Oliveira. O Vice-Primeiro-Ministro e líder do CDS disse que “Manoel de Oliveira é o nosso exemplo, na arte e na vida, de longanimidade: o fruto do espírito de quem tem grandeza de ânimo. Portanto, algo ainda maior do que a longevidade”, referindo ainda que “Manoel de Oliveira acreditou e viveu a sua arte, com paciência perante a incompreensão e a dificuldade, com uma certa ideia de cinema, numa certa ideia de Portugal – um cinema de actores, de texto, de composição”.

“Profundo respeito pelas culturas do povo”

O Partido Comunista Português reagiu oficialmente através da sua Organização Regional do Porto, afirmando que “soube, correspondendo ao seu posicionamento progressista, transmitir o seu profundo respeito para com a cultura e as vivências do povo português, perpetuando-as nos seus filmes, e elevando-as pela sua mão ao reconhecimento internacional”.

“Este é o dia que nós julgávamos que nunca chegava”

Catarina Martins, do Bloco de Esquerda disse que “habituámo-nos a ver Manoel de Oliveira para lá de todas as probabilidades e os limites humanos a fazer cinema sempre com tanta energia e tanta boa disposição”, que acreditou que “este é o dia que nós julgávamos que nunca chegava”. A porta-voz do Bloco disse ainda que “a forma como vemos o cinema e a cultura hoje não seria a mesma sem Manoel de Oliveira. E a maneira como olhamos para o Porto ou para o Douro é certamente diferente depois dos filmes de Manoel de Oliveira”.

Descomplicador:

Manoel de Oliveira faleceu aos 106 anos, tendo as cerimónias funebres decorrido hoje no Porto. Todos os protagonistas politicos portugueses reagiram à morte do cineaste e fala-se já na possibilidade de ser trasladado para o Panteão Nacional.

 

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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