148 nomes que a Europa não pode esquecer

O fim-de-semana foi marcado por críticas nas redes sociais à imprensa e líderes europeus, devido às escassas reacções ao massacre que teve lugar no Quénia. Também o Papa Francisco referiu um “silêncio cúmplice” no que toca ao ataque da passada quinta-feira, assim como a outros episódios de violência levados a cabo pelo Estado Islâmico contra cristãos.

A tragédia

Vamos recapitular: na passada quinta-feira, a universidade de Garissa, uma localidade no leste do Quénia, viu o terror instalado quando um grupo de homens encapuçados entrou nas instalações e procedeu a interrogar os alunos sobre os seus conhecimentos do Corão. O ataque tomou assim como alvo os alunos cristãos ali presentes, e teve como resultado 148 mortes – 142 delas de estudantes universitários.

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Os quatro homens, entretanto mortos durante a operação para libertar os estudantes ainda reféns, pertenciam ao grupo terrorista Al-Shabaab, uma parcela islamita somaliana com ligações à Al-Qaeda. A organização terrorista esclareceu que o ataque se tratou de uma resposta à presença militar do Quénia na Somália e aos alegados maus-tratos que os muçulmanos recebem no país, ameaçando ainda que mais “banhos de sangue” se poderão seguir”.

A sobrevivência

O rosto que encheu as notícias nos últimos dias foi o de Cynthia Charotich, de 19 anos, a sobrevivente que se escondeu durante 48 horas num armário da universidade de Garissa, até ser encontrada pela operação de salvamento. Cynthia relatou mesmo que duvidou de que estivesse a ser salva, só acreditando nas forças de segurança quando estas trouxeram o reitor da universidade para junto de si. A jovem chegou a beber loção corporal para tentar matar a sede que a assolou durante as horas de esconderijo.

As caras do massacre

 Dos quatro homens que atacaram a universidade de Garissa, um deles foi já identificado pelo ministério do Interior como sendo “um jovem graduado na Faculdade de Direito de Nairobi descrito como alguém com um futuro brilhante”. O pai de Abdirahim Abdullahi, uma autoridade local de um círculo eleitoral de Mandera, tinha já em 2013 participado o desaparecimento do filho, desconfiando de que este se pudesse encontrar na Somália.

2015-04-04T132459Z_769258785_GF10000049412_RTRMADP_3_KENYA-SECURITYAlém dos terroristas mortos, cinco outros suspeitos foram presos na sequência do ataque – três deles tentavam fugir para a Somália; os outros dois encontravam-se ainda nas instalações da universidade, armados com granadas.

As reacções do governo

Depois de ter decretado três dias de luto nacional, o governo queniano pediu união ao país, com o presidente Uhuru Kenyatta a prometer fazer de tudo para defender o “estilo de vida” dos cidadãos do país atacado contra terroristas que lamenta estarem já muito “infiltrados nas comunidades”. O governo oferece agora uma recompensa de 200 mil euros a quem encontrar Mohamed Mohamud, o ex-professor da universidade de Garissa que se pensa ser o cérebro da operação terrorista.

Descomplicador:

Na passada quinta-feira, um grupo do Al-Shabaab, grupo terrorista com ligações à Al-Qaeda, levou a cabo um massacre na universidade de Garissa, no Quénia. O saldo do ataque foram 148 mortes, 142 das quais de jovens estudantes, e muitas críticas ao silêncio europeu.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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