ACTUALIZADO – Os tempos de antena ainda resultam?

Tempo de Antena

ACTUALIZADO: Com declarações de João Gomes de Almeida, director criativo da Nylon e responsável por mais de 14 campanhas eleitorais no passado.

Recentemente o Partido Social Democrata e o Partido Socialista lançaram dois novos tempos de antena. O PSD focou-se nas questões sociais, enquanto o PS deu a conhecer o seu Secretário-Geral, António Costa e algumas das suas ideias. O Panorama foi saber se estas ferramentas ainda têm peso na conquista de votos.

Fora da RTP1, onde foram transmitidos originalmente este tempos de antena, o do PSD regista 360 visualizações (a 6 de Abril), enquanto o do Partido Socialista regista 1590 visualizações, sendo ambos um pouco superior a seis minutos, mas com tempos idênticos.

Ao Panorama, Edson Athayde, responsável pelas campanhas de António Guterres e Ferro Rodrigues, e CEO da FCB Lisboa disse que “os tempos de antena conseguem chegar a algo entre 500 a 800 mil portugueses. Mesmo que metade não preste atenção, ainda teremos um universo bem grande de pessoas”, utilizando assim estes números para justificar que “é algo que não pode ser ignorado”, ressalvando no entanto que “já não fazem parar o país”.

Apesar destes dados, João Gomes de Almeida, director criativo da Nylon e coordenador de 14 campanhas eleitorais, embora agora já não faça comunicação politica, acrescentou também ao Panorama que se o fenómeno de avançar na box da televisão nos momentos de publicidade “acredito que também aconteça nos tempos de antena, ou seja leva-me a concluir que o peso dos tempos de antena hoje em dia é quase irrelevante”.

Ainda quanto a esta questão, Gomes de Almeida aponta como um dos factores a descredibilização politica, afirmando que “a comunicação dos partidos do arco de governação ainda não soube responder” e apontando uma frase de David Ogilvy, “o maior publicitário de todos os tempos”, que disse que “não podemos tratar os consumidores como estúpidos, porque o consumidor é a nossa mãe. Isto também se aplica à comunicação política – os partidos continuam a tratar-nos como estúpido”.

O publicitário brasileiro, Edson Athayde, diz no entanto que “se forem bem feitos, poderão também ser veiculados através de redes sociais ou exibidos em acções dos candidatos no terreno”, tendo ainda um efeito de propagação da mensagem dos partidos importante.Acreditando também João Gomes de Almeida que “é possível os políticos, os governos e os partidos criarem conteúdo criativo com o objectivo de captar votos e que sejam virais nas redes sociais”, apontando até ESTE exemplo.

Tempo de AntenaUltimamente o PSD tem lançado diversos tempos de antena, ligados às questões sociais, mas também à evolução geral do país (cerca de 4 mil visualizações) e à área da defesa, pasta sob a tutela de José Pedro Aguiar-Branco. O Partido Socialista estreou-se agora com este vídeo muito focado na figura de António Costa.

O responsável por mais de uma dezena de campanhas eleitorais lamentou ainda o facto de “a comunicação política em Portugal é feita da mesma forma há 40 anos” com “os mesmos chavões, os mesmos tipos de outdoors, os mesmos tipos de headlines e os mesmos tipos de tempos de antena”, deixando um elogio a Edson Athayde, “o único homem que mudou alguma coisa na comunicação política em Portugal, que teve o feito de fazer uma brilhante campanha de “coração e razão” e eleger o Eng. António Guterres”.

Segundo Edson Athayde, os tempos de antena “já não são o que eram, mas ainda têm uma palavra a dizer nas campanhas eleitorais”, conclui o publicitário. João Gomes de Almeida é mais critico e diz que “no geral a comunicação política em Portugal é cinzenta e amadora. Os tempos de antena não são excepção”, acreditando que “no dia em que forem profissionais a fazê-los acredito que as coisas possam mudar um pouco”.

Descomplicador:

Os tempos de antena já não têm o poder de há anos atrás, mas são ainda ferramentas importantes para chegar ao eleitorado, diz o CEO da FCB Lisboa Edson Athayde ao Panorama. Já João Gomes de Almeida, director criativo da Nylon, lamenta o facto da comunicação politica em Portugal não ter evoluído e dá bons exemplos de tempos de antena.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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