Líder da CDU-Madeira denuncia “intolerável batota eleitoral”

As eleições regionais da Madeira, que tiveram lugar no passado dia 29 de Março, fizeram correr muita tinta nas duas últimas semanas. O resultado inicial determinou a vitória, com maioria absoluta, do PSD/Madeira. Mas devido a eventuais irregularidades na contagem dos votos, a maioria dos partidos que participaram nas eleições não se conformou e exigiu uma nova contagem.

Eleições Madeira

No dia 31 de Março, a Assembleia de Apuramento Geral retirou a maioria absoluta ao PSD/Madeira. Uma decisão polémica que durou pouco tempo, já que duas horas mais tarde a Comissão Nacional de Eleições (CNE) voltou a validar o resultado inicial, corrigindo assim o “erro lamentável” de não terem sido contabilizados os votos da ilha de Porto Santo, devido a um erro informático.

Depois de avanços e recuos, a decisão final foi tomada pelo Tribunal Constitucional no dia 7 de Abril, que validou a maioria absoluta dos sociais-democratas depois de indeferir todos os pedidos de uma nova contagem dos votos.

edgar silvaUm dos partidos mais inconformados com este processo desde o início foi a CDU. Em declarações exclusivas ao Panorama, Edgar Silva, coordenador da CDU-Madeira, afirmou que “estas eleições regionais confirmam, para quem tivesse alguma ilusão, que a fraude faz parte estrutural do regime que na Região Autónoma da Madeira impera desde a implantação da Autonomia, nascida da Revolução de Abril”.

O líder comunista da região denunciou o processo eleitoral, que defende estar “condicionado por factores que facilitam a fraude”, entre eles os “viciados Cadernos Eleitorais”. O cabeça de lista da CDU-Madeira acredita ainda que, depois do processo de averiguação dos resultados, ficou claro para o país que existiu “uma intolerável batota eleitoral” e que “os batoteiros ainda não foram embora” da região.

Apesar das duras críticas, Edgar Silva retirou um ponto positivo deste longo processo: “apesar de todas as contradições do sistema político na Região, também ficou mais claro que o poder dos senhorios está «por um fio»”, assumindo que cabe também ao seu partido “trabalhar mais e melhor” para que o futuro passe por “rumos alternativos de Justiça Social”.

Entretant, a tomada de posse do executivo liderado por Miguel Albuquerque está agendada para o dia 20 de Abril.

Descomplicador

As últimas eleições reginais da Madeira estiveram envolvidas em polémica devido a falhas no apuramento dos votos. O desfecho foi incerto durante dias e o PDS/Madeira chegou mesmo a perder a maioria absoluta, acabando por recuperá-la duas horas mais tarde. Em declarações ao Panorama, o coordenador da CDU-Madeira acusou ainda o processo de estar envolvido numa “intolerável batota eleitoral”.

Publicado por: José Pedro Mozos

23 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH – Universidade Nova de Lisboa. Entre março de 2016 e junho de 2017 passou pela SIC Notícias. Faz parte da editoria de política da Revista VISÃO desde julho de 2017. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, faz parte do Conselho Editorial do Panorama.

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