Paulo Portas pede oportunidade para “governar em tempos de normalidade”

Paulo PortasPaulo Portas foi buscar um discurso antigo no jantar dos 40 anos do CDS que se realizou em Mirandela, distrito de Bragança. O líder do CDS pede que “nos deixem governar em tempos de normalidade”, repetindo um discurso que utilizou já de forma a abordar as próximas eleições legislativas.

O líder do parceiro de coligação do PSD defendeu que “ao longo das últimas quatro décadas, o partido só foi chamado a governar em situação de emergência, quando a casa já estava a arder, quando o FMI já estava à porta e quando o precipício financeiro ameaçava a ruina do país”, pedindo assim aos eleitores que dêem uma oportunidade ao CDS em “tempos de normalidade”.

Paulo Portas falou no jantar do distrito de Bragança do CDS, que classificou como “o maior jantar fora de campanhas para as eleições legislativas”, remetendo pormenores sobre o programa do CDS para a coordenadora do gabinete de estudos, Assunção Cristas.

O presidente do partido centrista disse ainda que “os portugueses fizeram tanto esforço, que estão a merecer chegar a um tempo em que há normalidade, em que há crescimento e temos de atingir os níveis de crescimento suficientes para conseguir criar emprego estavelmente, pagar a dívida e moderar os impostos”, pedindo “humildemente que deixem o CDS fora de situações de emergência”.

CDS foi governo cinco vezes

O CDS foi governo por cinco vezes desde o 25 de Abril de 1974. A primeira vez foi no ano de 1978, integrando o governo liderado por Mário Soares, com Rui Pena como Ministro da Reforma Administrativa, Basilio Horta, como Ministro do Comércio e Turismo e Sá Machado, nos Negócios Estrangeiros, para além de cinco secretários de estado. Este governo durou apenas oito meses, devido a desentendimentos entre ambos os partidos.

Em 1979 e 1980 o CDS repetiu a ida para o governo, através da Aliança Democrática, com o PSD e o Partido Popular Monárquico. Nestes dois anos que terminaram com a morte de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, entre outros, o CDS colocou cinco ministros e dez secretários de estado, com Freitas do Amaral, na altura presidente do CDS a ser Vice Primeiro-Ministro e Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa. A Aliança Democrática durou até 1983 com um governo liderado por Pinto Balsemão, mas após as mortes de Sá Carneiro e Amaro da Costa não voltou a encontrar a estabilidade.

Passos PortasApós 20 anos de oposição, o CDS regressou ao governo em 2002, com Durão Barroso, quando se começou a falar “em apertar o cinto”, e novamente com três ministros: Paulo Portas na Defesa, Bagão Félix no Trabalho e Celeste Cardona na Justiça. Após dois anos, Durão Barroso saiu para a Comissão Europeia e o governo liderado por Santana Lopes durou apenas quatro meses, não encontrando novamente estabilidade para governar.

Por fim, em 2011, o CDS junta-se ao PSD para uma coligação pós-eleitoral, durante os três anos da troika em Portugal, integrando o governo ainda em funções. Actualmente o CDS tem como ministros, Paulo Portas, como Vice Primeiro-Ministro, Pires de Lima, na Economia, Assunção Cristas na Agricultura e Mar e Mota Soares na Solidariedade, Emprego e Segurança Social.

Michael Seufert concorda com Paulo Portas e aponta caminhos da “normalidade”

Michael SeufertAo Panorama, o deputado centrista e ex-líder da Juventude Popular, Michael Seufert, disse concordar com o líder do partido, afirmando que “de facto quer em 2002 (quando Guterres pediu eleições por causa do “pântano”) quer em 2011 (depois da bancarrota) o CDS sempre que foi chamado a governar nos últimos anos, foi em situações de excepcional dificuldade para o país”.

Michael Seufert, deputado pelo circulo eleitoral do Porto acrescenta ainda que “nesse sentido, foram sempre momentos de grandes apertos orçamentais em que a governação estava limitada”, acreditando que “em tempos de normalidade o CDS poderia ter a oportunidade de implementar algumas propostas de reforma que tem vindo a defender”.

Nessas propostas o deputado do CDS aponta ao Panorama, a “generalização da liberdade de escolha nos sistema educativo, a introdução de sistemas de capitalização na Segurança Social e uma progressiva e necessária redução de impostos”.

Descomplicador:

Paulo Portas pediu em Mirandela uma “oportunidade para o CDS governar em tempos de normalidade”. O Panorama fez uma retrospectiva dos governos que os centristas integraram e ao Panorama, o deputado Michael Seufert apontou alguns dos caminhos dos “tempos de normalidade”.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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