Debate condicionado

Partido Socialista PSO acto de debater, como exercício de troca de opiniões, exige um ou mais intervenientes. Esta óbvia constatação não merecerá a surpresa de nenhum leitor. No entanto, olhando para o panorama da discussão pública em Portugal, reparamos que há uma imensa discussão, que ocorre todos os dias, sem que haja mais do que uma parte.

Serve esta nota inicial para introduzir uma pequena reflexão sobre o papel do Partido Socialista e dos restantes partidos com representação parlamentar (e os que esperam vir a tê-la) no debate público sobre o país, particularmente em ambiente pré-eleitoral. Encontramo-nos a cerca de 6 meses das eleições legislativas, eleições que, sendo sempre importantes na definição do rumo do país, terão excepcional relevância pela avaliação do resultado da política de austeridade, pela compreensão popular sobre os anos de crise e pelas estratégias para a vencer. Obviamente, poderíamos estar num momento de discussão diferente – o de um país recuperado que se prepara para um ciclo de crescimento – mas o falhanço da governação PSD/CDS impedem-nos de vislumbrar esse horizonte tão proximamente.

Estes são, portanto, tempos particularmente relevantes para a definição de caminhos, para a discussão de medidas e para o debate de visões de país. Mas qualquer cidadão desinformado, quiçá um emigrante que foi e já não VEM, senão para visitar a família, diria que o Partido Socialista se encontra na condução dos destinos do país, tal é a exigência de propostas que, todos os dias, lhe é feita. Basta consultar os media para perceber que não há cronista ou opinion maker, quase sempre alinhados na mesma barricada da disputa ideológica, que falam incessantemente na ausência de propostas ou de definição no seio do maior partido da oposição. Por outro lado, António Costa apresentou 55 medidas num encontro nacional de autarcas socialistas, no início de Fevereiro, anunciou a apresentação do cenário macroeconómico, que sustentará as propostas socialistas, para o fim de Abril e marcou a data de apresentação do programa eleitoral: 6 de Junho. Pelo caminho, lançou o Acção Socialista digital, que todos os dias emite informação sobre a actividade e as propostas do Partido Socialista.

António CostaSeria útil debruçarmo-nos sobre outras questões interessantes, como a vontade de condicionar o calendário eleitoral do Partido Socialista, como se a sua estratégia não fosse definida por ele próprio. Mas a questão que quero colocar é mais simples: e os outros? Não há mais ninguém com a obrigação de se apresentar a eleições com um programa claro? Conhecemos os calendários de preparação dessas propostas? Ou as próprias propostas? E o Governo, aquele que está, neste momento, a exercer o poder? Que visão tem sobre o país que não seja a diminuição dos custos das empresas (vulgo, custo do trabalho), segundo afirmou recentemente Passos Coelho?

Portugal é um país curioso, em que se escrutina mais a oposição do que o poder. Nada contra, bem pelo contrário, que sejamos mais exigentes com aqueles que nos podem governar do que fomos no passado. Mas essa cultura de exigência deve tocar a todos, sob pena de se tornar apenas numa cortina de fumo para esconder o vazio de ideias de uma parte considerável do espectro político português. Em todo o caso, esta atenção especial é o mais claro sinal de que o Partido Socialista vencerá as eleições legislativas: continua a ser o grande repositório de esperança da população portuguesa.

Publicado por: Eduardo Barroco de Melo

Mestre e Licenciado em Bioquimica. Ex-presidente da Associação Académica de Coimbra. Coordenador Nacional dos Estudantes Socialistas

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