Os Naufrágios do Mediterrâneo – Soluções e Reacções

Na semana passada, 400 imigrantes morreram num naufrágio, perto da costa líbia. No domingo, 700 pessoas desapareceram, depois da traineira onde viajavam ter naufragado. Ontem já mais três barcos estiveram em apuros no Mediterrâneo, e cerca de 500 pessoas foram afectadas.

Após estas tragédias, o assunto da imigração, que já tinha surgido em 2013, despertou novamente o olhar do mundonaufrágios e dos dirigentes políticos.

O naufrágio de domingo foi considerado a maior tragédia envolvendo imigrantes no mar Mediterrâneo – das 700 pessoas desaparecidas, sobreviveram 28. São pessoas que viajam num estatuto ilegal, em condições desumanas, e que arriscam a vida em busca de encontrar melhores condições de vida.

A maioria são refugiados que fogem das guerras e das fomes que subsistem no Médio Oriente, no Norte de África ou na África Subsariana. Tentam escapar, por exemplo, da Guerra da Síria, ou de uma Líbia desgovernada, na qual traficantes de seres humanos e terroristas ligados ao Estado Islâmico são uma ameaça. De onde vêm a ameaça de morrer é tão grande que o risco que correm ao tentarem atravessar o mar para chegarem à Europa vale a pena.

Quais as possíveis soluções?

Estima-se que, em 2015, meio milhão de imigrantes chegarão a Itália, espalhando-se posteriormente pelo resto da Europa. Em 2014, este número foi de 170 mil. Com o número de imigrantes que arriscam as suas próprias vidas a aumentar, é unânime entre a maioria dos dirigentes políticos que tem de haver alguma acção por parte da Europa.

Depois dos naufrágios de 2013, em que morreram mais de 600 pessoas ao largo de Lampedusa, houve alguma actuação. Itália lançou a missão de resgate e salvamento Mare Nostrum, cujos gastos eram de 9 milhões de euros por mês. A missão durou até Outubro de 2014, tendo sido substituída pela operação europeia Tritão, menos ambiciosa na área coberta e nos meios utilizados e portanto, mais barata: 2,9 milhões por mês.

As diferenças de eficácia entre as operações são evidentes: em 2014, no mesmo período, registaram-se 17 mortes, comparativamente às pelo menos 900 deste ano.

Reacções

As novas tragédias vieram despertar novamente a atenção dos dirigentes políticos para os problemas da imigração e para a necessidade de encontrar soluções.

A alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Federica Mogherini, disse que a UE não tem mais desculpas, “não tem mais álibis”, admitindo também que a solução não será fácil, mas que “há uma responsabilidade europeia”.

A Comissão Europeia, em comunicado, diz que “há vidas em risco e que a União Europeia, como um todo, tem o dever moral e humanitário de agir” e defende que se ataque o problema na origem, ou seja, resolvendo os problemas de instabilidade dos países de onde vêm os emigrantes, como por exemplo da Líbia, uma das principais renzirotas de tráfico ilegal; e atacando também os traficantes de pessoas que proporcionam a imigração ilegal, considerados pelo primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, “os novos donos de escravos do século XXI”.

Matteo Renzi disse também que “uma acção contra o tráfico humano tem de deixar de ser uma prioridade exclusivamente italiana ou exclusivamene maltesa.”. Isto porque, Itália e Malta são os principais portos de chegada dos imigrantes à Europa.

Durão Barroso, o ex-presidente da Comissão Europeia, lamentou que os países não estejam disponíveis para uma política comum e acrescentou que “as responsabilidades em relação, por exemplo, a ajuda a refugiados são responsabilidades nacionais.”. Ou seja, não é uma competência da União Europeia, até porque a própria Comissão Europeia “não tem barcos, não tem helicópteros, não tem aviões”. Reforçou assim que todos os países têm de colaborar e disponibilizar recursos.

António Guterres, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, disse que “este desastre confirma o quão urgente é restaurar uma operação robusta de resgate marítimo e estabelecer vias legais para [que os imigrantes] cheguem à Europa”.

No entanto, nem todas as retóricas defendem a protecção dos imigrantes. A Human Rights Watch denunciou “a retórica tóxica” de Matteo Salvini, líder italiano da xenófoba Liga Norte, que apelou às regiões para não promoverem a hospitalidade para com os imigrantes. Também Lauren Jolls, representante da Agência da ONU para os Refugiados em Itália, criticou a retórica “extremista e irresponsável”, acusando os políticos de explorarem o medo que as pessoas possam ter dos estrangeiros de acordo com os seus próprios interesses.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Dusk, anunciou ontem uma reunião extraordinária para esta quinta-feira entre os membros da União Europeia, que tem como objectivo discutir medidas de combate ao tráfico humano e uma melhoria das políticas de cooperação entre os estados membros da UE e os países de origem dos imigrantes.

Descomplicador:

O mar Mediterrâneo tornou-se num cemitério marítimo. Milhares de imigrantes ilegais vindos de África têm tentado chegar à Europa, através de embarcações sobrelotadas e em condições desumanas. Fogem dos conflitos dos seus países em busca de melhores condições de vida. Reabriu-se o assunto entre os dirigentes políticos europeus, após vários naufrágios, em que centenas de pessoas morreram.

xldaus@clrmail.com'
Publicado por: Marta Menezes Ventura

22 anos, natural de Lisboa. Finalista de Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. Durante o ano lectivo de 2012/2013 participou no Sala de Projeção, um formato da ESCS FM sobre cultura, composto por um directo semanal e um site. Em 2013/2014 foi coordenadora do projeto.

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