Jerónimo de Sousa não poupa críticas a António Costa

O secretário-geral do PCP tem dirigido diversas críticas às políticas praticadas por António Costa e pelos socialistas, acusando-os de pactuar com os partidos de direita quanto aos assuntos europeus. O Panorama reuniu as principais acusações e discordâncias entre o PCP e o PS, nos últimos meses.

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Em Novembro do ano passado, Jerónimo de Sousa recusou qualquer tipo de coligação com o partido socialista, dizendo que não pretendia “juntar os trapinhos” com o PS, tendo em conta que isso seria abdicar da “política de verdade” e não resolveria os problemas do país. O dirigente do PCP criticou o “vazio muito grande” de António Costa e referiu que a sua proposta de governo se baseava em omissões. As opiniões de Jerónimo de Sousa não se cingiram ao secretário-geral do partido e estenderam-se também aos diversos movimentos esquerdistas, tanto recentes como antigos. “Há um conjunto de siglas, de pessoas com projectos pessoais (…) criando a ideia de uma plataforma de esquerda para juntar as águas para que o afluente vá ter ao PS”, defendeu.

No dia 6 de Janeiro, Jerónimo de Sousa e António Costa estiveram reunidos durante cerca de 1 hora e meia. No final do encontro, o líder socialista atestou que existem “divergências entre os dois partidos, que são conhecidas”, mas desvalorizou a gravidade das mesmas, dado que as considera democraticamente importantes para que “os eleitores possam escolher”. Como forma de amenizar a situação, António Costa salientou a representatividade dos comunistas na sociedade portuguesa e apontou o facto de os portugueses conhecerem bem as diferenças entre os dois partidos, patentes ao longo de décadas.

Nessa reunião, indo de encontro ao que havia dito em Novembro, Jerónimo de Sousa mostrou-se disponível para uma convergência entre as forças de esquerda. No entanto, enfatizou que isso só aconteceria se se proporcionasse uma ruptura efectiva com as políticas de direita, sem “declarações de intenções” do PS no plano social ou “silêncios comprometedores”, o que não sucede em relação às questões europeias, por exemplo. “Há divergência com o PS sobre a Europa e no que se refere à necessidade de uma outra política económica com outra repartição da riqueza. É incontornável a rejeição do Tratado Orçamental e da renegociação da dívida”, disse o líder comunista.

Durante um almoço com militantes, em Castelo Branco, no início deste mês, o secretário-geral do PCP afirmou que o “PS não pode querer sol na eira e chuva no nabal”, criticando a afirmação dos socialistas enquanto política de esquerda e de mudança. Na sequência da discussão de Janeiro, Jerónimo de Sousa voltou a defender que o PS se compromete com a política vigente no país e na União Europeia e criticou a indefinição do partido na elaboração de uma política de oposição. “Nem é carne nem é peixe, parece um caranguejo moído em termos de definição de uma política alternativa”, afirmou.

Descomplicador:

Comunistas e socialistas não escondem as divergências políticas, mas ambos estão de acordo quanto à necessidade de mudança no governo. PCP considera que o PS tem realizado uma política de direita, mas não encara o partido como sendo de direita. “Não basta proclamar-se de esquerda, é preciso sê-lo na política e nas medidas que se propõem aos portugueses”, sustentou o líder comunista. Jerónimo de Sousa defende que os movimentos de esquerda não estão a trabalhar no sentido de chegar ao governo mas, pelo contrário, estão a abrir caminho para que seja o PS a consegui-lo.

xobrun@6paq.com'
Publicado por: Mariana Bandeira

22 anos, natural de Torres Vedras. Finalista de Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. Colaborou com o Oitava Colina e o seu gosto por política nasceu quando escolheu Ciência Política como disciplina no secundário

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