No Reino Unido, reina a incerteza

Eleições Reino UnidoAs eleições legislativas britânicas vão ter lugar no próximo dia 7 de Maio e a indecisão permanece. Após semanas de campanha, os partidos apenas têm seis dias para tentar convencer os eleitores. E estes seis dias serão determinantes, pois as diversas sondagens que existem não têm resultados comuns. A incerteza que se vive por estes dias na Grã-Bretanha permanecerá até ao próprio dia das eleições, atendendo às sondagens que têm vindo a público ultimamente.

Composição da Câmara dos Comuns (the house of commons)

O parlamento britânico é composto por duas câmaras: a Câmara dos Lordes e a Câmara dos Comuns. A segunda é aquela com mais peso e a que se pode comparar à Assembleia da República portuguesa.

A Câmara dos Comuns está composta por 650 assentos, eleitos democraticamente através do voto. Ou seja, para que haja maioria absoluta é necessário que o partido vencedor atinja no mínimo 326 assentos. Os deputados, assim como o líder do governo, são eleitos para um mandato de cinco anos.

Actualmente o Governo britânico é formado por dois partidos: o Partido Conservador, que dispõe de 306 assentos e é liderado pelo Primeiro-Ministro David Cameron; e pelo Partido Liberal Democrático, que elegeu 57 deputados em 2010 e cujo líder é o vice-Primeiro-Ministro britânico, Nick Clegg.

A oposição na Câmara dos Comuns tem um líder oficial: o líder do partido da oposição com mais assentos. Hoje em dia este cargo é ocupado por Ed Miliband, que é líder do Partido Trabalhista, que na actual composição do parlamento britânico conta com 256 assentos.

David Cameron

Partidos na corrida e resultados expectáveis

De entre todos os partidos que concorrem às legislativas britânicas, o Panorama apresenta aqueles com mais peso na Câmara dos Comuns.

Partido Conservador: encabeçado pelo Primeiro-Ministro, David Cameron, é o partido que lidera a mais recente sondagem do The Guardian com cerca de 35% das intenções de voto, o que corresponderia a cerca de 276 assentos parlamentares. Resultado que levaria Cameron a precisar de se voltar a coligar.

Partido Trabalhista: liderado por Ed Miliband, o partido de centro-esquerda conta com 32% das intenções de voto, o que daria um total de 267 assentos parlamentares. A confirmar-se este resultado, Miliband ficaria a apenas nove assentos do partido vencedor. Apesar de ser o segundo partido mais votado a desvantagem é curta e pode ambicionar ser o partido mais votado até ao último minuto.

Partido Liberal-Democrata: o vice-Primeiro-Ministro é o líder deste partido, que, segundo a sondagem já referida, perderia mais de metade dos assentos: dos 57 que ocupa hoje passaria para apenas 27. Coligado com os conservadores atingiriam um total de 303 deputados. Neste caso

SNP: o partido nacionalista escocês tem estado a crescer nas sondagens e há mesmo que diga que podem arrebatar os 59 assentos dedicados ao círculo eleitoral da Escócia. No entanto, o The Guardian aponta para um resultado a rondar os 55 assentos. A líder do partido, Nicola Sturgeon, já apoiou Ed Miliband, o que significa que se os trabalhistas vencerem podem ter no SNP o parceiro de coligação ideal.

DUP: O partido unionista irlandês pode ter uma importante palavra a dizer na decisão final. A sondagem atribui ao partido de Peter Robinson nove assentos. Os analistas apontam este o DUP como potencial terceiro partido da coligação caso o Partido Conservador saia vencedor e não atinja a maioria absoluta coligado apenas com os liberais democratas.

UKIP: O partido independentista e euro-céptico já teve melhores previsões para o seu lado. Na sondagem já referida, o partido de Nigel Farage poderá alcançar cerca de 3 assentos. Apesar de poucos assentos poderá ter alguma importância na distribuição final dos lugares na Câmara dos Comuns.

Os Verdes: apesar de não terem muita representação no parlamento – pois apenas têm um assento – são um partido com peso e podem renovar o mandato desse deputado. Poderão dar uma eventual ajuda caso os trabalhistas saiam vencedores, não votando contra um governo formado por trabalhistas e SNP.

Ed Miliband

Que cenários?

Para atingir uma maioria absoluta tanto o Partido Trabalhista como também, e sobretudo, o Partido Conservador vão precisar de se coligar. Mas a situação não está esclarecedora para nenhum dos dois partidos.

Os conservadores lideram as recentes sondagens mas os potenciais partidos para formar coligação precisariam de um melhor resultado do que aquele que as sondagens auguram para poder alcançar a maioria absoluta. Os liberais têm perdido popularidade e podem não ser suficientes para que David Cameron renove a coligação. Neste caso o DUP surge como uma boa opção para reforçar a coligação, mas os liberais não vêm esta situação com bons olhos, o que poderá colocar um grande impasse a David Cameron.

Mas o primeiro-ministro tem ainda outro problema: Nick Clegg pode não ser eleito no seu círculo, o que faria com que o vice-Primeiro-Ministro pudesse não ver o seu mandato renovado. Caso esse cenário se confirme, Cameron teria de chegar a acordo com um novo líder dos liberais, o que não seria fácil com os nomes que têm sido apontados como possíveis sucessores de Clegg.

Os trabalhistas têm um potencial parceiro de coligação com peso: o SNP, que pode ser suficiente para atingir a maioria absoluta. Mas para que estes dois partidos formem governo é preciso que Ed Miliband ganhe terreno a David Cameron nos próximos seis dias e vença as eleições de dia 7 de Maio.

Descomplicador

As eleições legislativas britânicas vão ter lugar no próximo dia 7 de Maio. A campanha não conseguiu desenhar um cenário provável e a dúvida sobre quem será o próximo Primeiro-Ministro britânico deve permanecer até ao último minuto. Nem os trabalhistas nem os conservadores conseguirão atingir a maioria absoluta sem coligações, e mesmo essas podem não ser suficientes.

Publicado por: José Pedro Mozos

23 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH - Universidade Nova de Lisboa. Entre março de 2016 e junho de 2017 passou pela SIC Notícias. Faz parte da editoria de política da Revista VISÃO desde julho de 2017. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, faz parte do Conselho Editorial do Panorama.

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