O boicote à celebração do nacionalismo da Frente Nacional

“Quantas surpresas neste 1 de Maio”. A frase de Marine Le Pen, líder da Frente Nacional, ilustra a forma como inesperadamente correram as celebrações deste 1º de Maio pelo partido de extrema-direita.

Comecemos pelo princípio: no dia 1 de Maio se celebra-se mundialmente o Dia do Trabalhador, a pretexto da manifestação de meio milhão de trabalhadores nas ruas de Chicago, no mesmo dia em 1886, e depois as mortes causadas pela intervenção policial numa manifestação convocada em França pelo Congresso Operário Internacional, exactamente três anos depois. No entanto, em França há um motivo de comemoração que se soma aos já citados: a homeagem a Joana d’Arc organizada pela Frente Nacional anualmente, com o objetivo de reforçar os valores nacionalistas que o partido defende.

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Não deixa de ser curioso que se possa começar por este princípio definidor do partido para contar a história deste atribulado 1 de Maio. Marine Le Pen tem tentado renovar a imagem da Frente Nacional, afastando-se dos valores mais conservadores e do discurso mais extremista para se adaptar a outros tipos de eleitorado. No entanto, esta remodelação tem levado ao choque com o seu pai e fundador do partido, Jean-Marie Le Pen, que considerou a ocupação alemã da França durante a Segunda Guerra Mundial “não particularmente desumana” e o Holocausto “um detalhe” que sido uma manobra de distração para os comunistas.

Foi precisamente Jean-Marie que protagonizou o primeiro incidente do dia: após o afastamento entre si e a sua filha, na consequência destas declarações, o fundador subiu ao palco onde Marine Le Pen se preparava para discursar, apenas para fazer um V de vitória e receber a aclamação da multidão que assistia à cerimónia.

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Mas se a actual líder do partido pensou que as celebrações poderiam prosseguir tranquilas, rapidamente o Femen, movimento feminista francês, lhe estragou os planos. Primeiro, quando Le Pen se preparava para colocar uma coroa de flores junto ao monumento de homenagem a Joana d’Arc e duas activistas invadiram o espaço. E depois, aquando do início do discurso, quando três mulheres de tronco nu e com os dizeres “Heil Le Pen”, acompanhados por saudações e bandeiras nazis, invadiram a varanda de um hotel próximo.

Descomplicador:

A líder da Frente Nacional, partido de extrema-direita francês, viu os festejos dedicados ao nacionalismo do 1º de Maio boicotados pelo próprio pai, fundador do partido, e por activistas do movimento feminista Femen, que invadiram a cerimónia.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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