A emigração e a propaganda

EmigraçãoA emigração portuguesa é uma das marcas mais contundentes destes duros anos.

Os valores actuais só têm paralelo com a grande vaga de 1960, em plena guerra colonial e sob o jugo da ditadura. E os dados disponíveis estão longe de contar tudo, na medida em que muitos não alteram a sua residência.

A propaganda do actual Governo transmite a ideia de uma vaga emigratória «sexy», motivada pela procura de realização pessoal e profissional, encetada por jovens «empreendedores» e altamente qualificados para quem o mundo é um espaço de trabalho aberto e dinâmico.

Certamente que os haverá, mas a realidade – e por realidade entendem-se os traços dominantes da brutal vaga emigratória – não tem nada a ver com isto.

Na realidade, para a maioria dos portugueses que saem do país, a emigração é uma derrota e não raras vezes uma tragédia pessoal que desfaz famílias. É o fim da linha após o esgotamento de todas as opções em situação de desemprego, direcciona-se para funções desqualificadas, enfrenta baixos salários nos países de destino e, em muitos casos, desemprego e pobreza.

Os dados são do Observatório da Emigração e confirmam outros já reportados pelo INE, OCDE e projecto Generation E:

  • A emigração aumentou 21% desde 2011.
  • Aumentou o número de emigrantes idosos (mais de 65 anos).
  • Por cada 10 emigrantes portugueses, 4 estão desempregados ou inactivos.
  • A esmagadora maioria está em funções operárias e não qualificadas.
  • Apenas 6,1% exercem funções técnicas de nível intermédio.
  • Só 4,2% são técnicos superiores de profissões intelectuais e científicas.
  • No total, apenas 7% dos emigrantes portugueses tem formação superior.
  • O peso da emigração portuguesa é sete vezes superior ao peso da nossa população o mundo.

Este é o retrato negro dos que partem: há um drama social e económico em todos os bilhetes de ida sem data de regresso. Perante isto, os elogios à emigração forçada por parte de PSD e CDS são a confirmação da sua falência como projecto de poder. Urge mudar para que Portugal deixe de ser um imenso ponto de partida.

 

Publicado por: Tiago Barbosa Ribeiro

É actualmente presidente do Partido Socialista do Porto.

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