Em Espanha todos ganham e todos perdem

Esperanza AguirreO Partido Popular de Mariano Rajoy perdeu todas as maiorias absolutas que tinha nas regiões autónomas, mas ainda assim conquistou nove das 13 regiões espanholas. Por outro lado, o Podemos e o Ciudadanos conseguiram assento em todos os parlamentos regionais, numa noite em que todos tiram ilações positivas. Filipe Henriques analisa a noite eleitoral para o Panorama.

Em Madrid, Esperanza Aguirre do Partido Popular conquistou a vitória mas com apenas mais um vereador do que o movimento Ahora Madrid que agrega entre outros o Podemos. O PSOE foi em Madrid apenas a terceira força politica com menos 11 lugares do que o Ahora Madrid.

Em Barcelona, o Barcelona en Comú, plataforma de partidos de esquerda que agrega também o Podemos, venceu, elegendo Ada Colau que se torna assim a primeira mulher a liderar a câmara de Barcelona. Ainda assim, Colau terá de fazer uma coligação com outros dois partidos caso queira ser governo da região.

“Até certo ponto, todos podem ser [vencedores], depende dos objectivos que tinham para essas eleições”

Ada ColauFilipe Henriques, membro da direcção do Partido Livre e mestrando em Ciência Politica no ISCTE disse ao Panorama que “estamos habituados a que nas noites eleitorais todos os partidos se declarem vencedores, e até certo ponto, todos podem ser, depende dos objectivos que tinham para essas eleições”, dando os exemplos do PSOE, “que perdeu uma parte considerável dos seus votantes mas conseguiu resistir muito mais do que era esperado e poderá vir a liderar os governos regionais de seis das 13 regiões” e do Partido Popular de Mariano Rajoy, actual líder de Governo, que “foi o mais votado em quase todas as regiões, mas deverá perder o poder em grande parte delas. Portanto, PSOE e PP tiveram vitórias ou derrotas? Difícil dizer”, concluí.

Quanto aos partidos mais recentes, o Podemos e o Ciudadanos, Filipe Henriques, considerado também uma das personalidades politicas portuguesas mais influentes no Twitter, afirma que “tiveram bons resultados para partidos novos (o Ciudadanos foi fundado em 2006, e já tinha concorrido a eleições regionais em Madrid e Baleares em 2011, mas com resultados residuais), e deles dependem a formação de governos em praticamente todas as regiões” mas diz também que “se o objectivo era tirar o poder ao PP e ao PSOE, então falharam”.

“Tudo dependerá de como PSOE e Podemos se entendem entre si ou não”

Mariano RajoyQuanto ao futuro, no que toca à formação dos governos regionais, que vão obrigar a um conjunto de entendimentos partidários, Filipe Henriques diz que “tudo dependerá de como PSOE e Podemos se entendem entre si ou não”, acrescentando que “o resultado dessas negociações vão influenciar mais as eleições do final do ano que propriamente os resultados por si” e destacando o caso de Madrid onde o “Ciudadanos terá de decidir entre um governo PP ou um governo PSOE-Podemos”.

Ainda na reacção à noite eleitoral ao Panorama, Filipe Henriques destaca “as eleições municipais, onde nos sítios onde a esquerda à esquerda do PSOE se uniu, em candidaturas cidadãs, com programas construídos de forma participada e listas formadas através de primárias, conseguiram ganhar”, destacando “o exemplo da cidade de Madrid é muito claro: a candidatura Ahora Madrid teve o dobro dos votos que a candidatura do Podemos nas regionais. A convergência não só soma, como multiplica”, acrescentando que “estas candidaturas deverão formar maiorias com outras candidaturas de esquerda, incluindo as do PSOE, demonstrando a sua falta de sectarismo” e acreditanto que estes resultados constituem “uma lição para a esquerda portuguesa”.

Descomplicador:

Em Espanha, PP venceu mas perdeu todas as maiorias absolutas, conquistando Madrid mas perdendo Barcelona para o movimento apoiado pelo Podemos. Filipe Henriques analisa a noite eleitoral para o Panorama, afirmando que estes resultados constituem “uma lição para a esquerda portuguesa”.

 

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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