Actualizado: Há dois Nóvoa que são candidatos

No site do LIVRE, o processo que se explica é simples: se quer ser candidato a deputado pelo partido e pela plataforma Tempo de Avançar, basta seguir quatro passos. O aspirante a candidato deve “manifestar concordância com a linha programática, orientação política e código de ética” da plataforma, preencher um formulário, indicar por que círculo quer ser eleito e reunir o apoio de doze subscritores. Concluído o processo, pode então concorrer às eleições primárias abertas do LIVRE/Tempo de Avançar, marcadas para os dias 20 e 21 de Junho.

Vários são já os candidatos que seguiram estes passos e formalizaram a candidatura, mas há um apelido que está a sobressair: é que também André Nóvoa, filho do candidato presidencial António Sampaio da Nóvoa, apresentou a candidatura às eleições primárias do LIVRE, partido do qual é co-fundador. André Nóvoa fala, em declarações ao Panorama, do peso que o apelido “evidentemente” traz, “para o bem e para o mal”: “às vezes sinto que quem gosta do meu pai, gosta de mim. E que, quem não gosta dele, também não gosta de mim. É uma cruz que vou ter de aprender a carregar. Mas não é uma cruz pesada. Tenho orgulho em ser filho de quem sou”.

novoaNo entanto, para o agora candidato a deputado o parentesco não deve influenciar a opinião dos eleitores, uma vez que o seu percurso fala por si. Pelas palavras de André Nóvoa, de 30 anos, esta é uma candidatura que surge do “cansaço” que deriva de vários factores: de ver amigos em situações precárias, de ver conhecidos a emigrar contra a sua vontade, de ver situações de pobreza e de más condições laborais. O jovem investigador deixa na sua apresentação, no site do LIVRE, palavras de protesto contra situações de injustiça social e, de modo mais abrangente, pede uma “refundação da democracia” em jeito de balanço dos 41 anos livres em Portugal. Ao Panorama, Nóvoa relembra que “talvez tenha sido necessário, durante 40 anos, proteger e blindar os partidos – sobretudo depois de termos vivido tanto tempo em ditadura – mas esses mesmos modelos tornaram-se hoje anacrónicos. Há um claro deficit de confiança nos políticos, nos partidos, na política em geral, como demonstram as brutais taxas de abstenção”. Segundo o candidato a deputado, uma democracia com as actuais taxas de abstenção “não é uma democracia”, mas “outra coisa qualquer”.

Nóvoa fala por isso de “novas formas de fazer política”, através da integração da participação cívica nas eleições ou de movimentos sociais – bandeiras do LIVRE – e da luta contra a abstenção. Argumenta assim que o sistema eleitoral interno do LIVRE é o “primeiro passo” de um processo de reinvenção partidária em Portugal.

Quanto aos seus interesses, André Nóvoa refere que o seu percurso poderá ser fundamental para trabalhar nas áreas da ciência, do desemprego jovem e da emigração – recorde-se que o agora candidato a candidato se encontra a viver “entre Oeiras e Boston” e já viveu quatro anos em Londres.

Descomplicador:

André Nóvoa apresentou já a sua candidatura às eleições primárias do partido de centro-esquerda. Nomes como Ana Drago, Rui Tavares, a actriz São José Lapa ou o advogado Ricardo Sá Fernandes fazem também parte do leque de candidatos do LIVRE, que conta já com cerca de cento e quarenta nomes.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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