Coligação e PS empatados: será que podemos confiar nas sondagens?

Na semana passada, uma nova sondagem da Aximage em relação ao mês de maio dava um empate técnico entre a Coligação do Governo e o PS. Esta sondagem do Jornal de Negócios e do Correio da Manhã foi a primeira onde as intenções de voto desceram para António Costa e subiram para Passos Coelho e Paulo Portas.

O PSD/CDS apareceu com 37,20% das intenções de voto, apenas duas décimas a menos do que o Partido Socialista. Isto apesar de a coligação ainda estar assombrada pela biografia autorizada do Primeiro-Ministro que não caiu bem no CDS. No livro Passos Coelho revelou pormenores das situações de crise entre os dois partidos, fragilizando as relações logo na semana seguinte ao anúncio da candidatura conjunta.

Já o Partido Socialista apresentou o programa económico que pretende implementar, mas as sondagens não melhoraram. Na altura em que António Costa venceu as diretas internas, o PS tinha um avanço de seis pontos percentuais face à coligação. Nesta sondagem a diferença fica reduzida a duas décimas.  A tendência tem sido sempre de relativa estagnação dos socialistas e de recuperação dos sociais-democratas e centristas.

De facto, os socialistas subiram quatro décimas face à sondagem da mesma empresa do mês passado. A subida da coligação este mês é que fez a diferença e reduziu a distância entre os partidos do arco da governação. António Costa veio hoje recusar-se a comentar estas sondagens, assim como assuntos relacionados com as presidenciais.

Fora do arco a CDU que junta o PCP e os Verdes ficou-se pelos 7,70%. O Bloco de Esquerda apareceu a seguir com 4,2 pontos percentuais. Marinho e Pinto e o recente Partido Democrático Republicano estam em tendência descendente com 2,6%. Por último, a candidatura conjunta do Partido Livre com a iniciativa Tempo de Avançar registou 2% da intenção dos votos.

Será que podemos confiar nas sondagens?

Reino UnidoO caso britânico foi um dos mais flagrantes: quando todos esperavam um empate técnico entre Ed Milliband e David Cameron, o Partido Conservador consegue a maioria absoluta e nem precisa dos Liberais Democratas para a coligação que anos antes tinha possibilitado a formação do governo. O investigador da Pitagórica – Investigação e Estudos de Mercado e consultor de comunicação Alexandre Luz explica ao Panorama o porquê de haver mais perigo de as sondagens errarem em casos como o do Reino Unido: ”O facto de se tratar de um sistema uninominal aumenta o risco deste tipo de situações. Ou seja, imagine que temos 10 regiões onde cada uma elege apenas um representante, e que estão todas em empate técnico. Se o sistema fosse proporcional o resultado seria à partida proporcional, no entanto num empate técnico em sistema uninominal apesar dos votos refletirem esse empate, no limite, todos os 10 mandatos podem ser atribuídos apenas a um dos partidos, bastando que este tenha obtido em todas estas 10 regiões apenas mais um voto que o seu adversário”. O modo de funcionamento das eleições britânicas permite, portanto, que a concentração de votos por partido ganhe “uma importância acrescida”, considera Alexandre Luz.

“A sondagem é uma radiografia tirada num dado momento”

Sondagens Gráfico PIBPor isso, o também presidente da PSD em Oeiras considera que o problema não é do método, mas sim do sistema uninominal, afirmando que “temos de olhar para o que ocorreu no Reino Unido com alguma naturalidade. Uma projeção é uma projeção, uma previsão, e como qualquer previsão pode falhar”. Alexandre Luz admite que a falha no resultado “não é algo fora do vulgar” e refere que “a sondagem é uma radiografia tirada num dado momento”. Efémera, portanto.

Perante este cenário, Alexandre Luz nega ao Panorama que as sondagens deixaram de ter interesse. O social-democrata defende que as sondagens são mais importantes durante a campanha do que no momento final, as eleições, afirmando que “as sondagens são essenciais para qualquer campanha”, em particular para “o posicionamento e para a monitorização da campanha” e acrescentando ainda que “a projeção de resultados propriamente dita acaba por ser secundária”. Com um duplo efeito, as sondagens na campanha não só trazem legitimidade ao candidato, caso sejam positivas, como atuam de forma psicológica perante a candidatura adversária que fica afetada pelos resultados das eleições. “Mais do que para as pessoas as sondagens são fundamentais para as campanhas”, considera Alexandre Luz pondo a nú uma fonte não de credibilidade, mas de jogo político.

Do Reino Unido para Portugal, e depois das mais recentes sondagens que aproximam o PSD e o PS, Alexandre Luz considera que o caso nacional é diferente. “As ilações serão reduzidas”, refere no que toca à comparação entre um e outro.

Descomplicador:

PS e PSD/CDS aparecem próximos em sondagens recentes, isto depois da polémica com as sondagens no Reino Unido. O Panorama ouviu Alexandre Luz, da Pitagórica, sobre a credibilidade e utilidade das sondagens, bem como sobre o caso do Reino Unido.

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Publicado por: Tiago Varzim

Nasceu na Póvoa de Varzim mas fez toda a sua vida em Barcelos. Agora é em Lisboa que dá os primeiros passos no jornalismo. Estudante de Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. Colabora com vários sites, entre eles o Panorama.

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