Itália: Vitória agridoce para Renzi

Foi este domingo que decorreram as eleições regionais em Itália, que registaram um maior número de votos no Partido Democrático de Matteo Renzi. No entanto, esta não foi uma vitória absoluta para o partido que se encontra actualmente no governo italiano. O Panorama resume o que de mais importante há a retirar destes resultados:

Matteo-Renzi
1. Apesar da vitória em cinco das sete regiões italianas a votos, o resultado do partido de Renzi representa um retrocesso em relação aos resultados das eleições europeias de 2013, tendo passado de 40% dos votos a 23%. O decréscimo explica-se também pelos dissidentes do partido, que se candidataram como independentes em várias das regiões.

2. O caso da perda da Ligúria é de destaque, uma vez que a região situada no noroeste do país se impunha como bastião da esquerda e foi desta vez ganha pelo Força Itália, a coligação de direita dos discípulos de Berlusconi. Matteo Renzi mostrou-se mesmo particularmente desiludido com este resultado,  sublinhando que “as políticas de facções não podem prevalecer sobre as do partido”  em declarações ao Corriere della Sera. A vitória da coligação fica a dever-se às divisões internas do Partido Democrático, especialmente visíveis no caso da região.

3. O MoVimento 5 Estrelas, inicialmente fundado pelo comediante Beppe Grillo, obteve resultados positivos em relação aos restantes partidos. O partido foi inicialmente criado com a intenção de, nas palavras do fundador, “livrar Itália dos políticos” e incentivar uma democracia direta e participativa. Neste domingo, o MoVimento solidificou a posição de segunda força política, que se confirmou em todas as regiões. O entusiasmo ficou patente nas palavras do vice-presidente da Câmara dos Deputados e membro do MoVimento Luigi del Maio: “somos um movimento em ascensão. O resultado de hoje é impressionante”.

4. Também o Liga do Norte, que defende o separatismo como solução para a região Norte de Itália, cresceu nestas eleições. A Liga obteve uns expressivos 12,5% a nível global, posicionando-se como terceira força, logo depois do MoVimento de Beppe Grillo. Ambas as forças são acusadas de utilizar argumentos populistas para convencer o eleitorado e definem-se como partidos anti-sistema.

Descomplicador:

O Partido Democrático de Matteo Renzi venceu as eleições regionais italianas por 23% mas a vitória foi amarga, uma vez que as últimas eleições europeias tinham tido um resultado de 40% para o partido do governo. As eleições regionais serviram para confirmar a ascensão dos partidos anti-sistema, o MoVimento 5 Estrelas e a Liga do Norte.

 

 

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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