Novo impasse em Atenas – FMI suspende negociações com o governo grego

Quase como de um dia para o outro, a situação grega voltou a sofrer um duro revés. O Fundo Monetário Internacional fez regressar a Washington a equipa que estava destacada em Bruxelas em negociações com o governo grego. Segundo o porta-voz do FMI Gerry Rice, “Há diferenças substanciais entre nós na maior parte das áreas essenciais. Não houve progresso em reduzir essas diferenças recentemente”, o que terá motivado o FMI a interromper as conversações.

O anúncio surge apenas um dia depois da reunião do primeiro-ministro grego com François Hollande e Angela Merkel, que encerrou num clima de entendimento e esperança num acordo próximo. Tsipras acordou em ceder às exigências dos credores dizendo que estava disponível a aceitar um excedente orçamental primário de 1% do Produto Interno Bruto (PIB), ainda que “sob certas condições”. François Hollande disse que “A mensagem que quero deixar é esta – nenhuma solução será má para a Grécia, para a União Europeia ou para a zona euro”; Angela Merkel afirmou se chegou à frente, afirmando que “quando há vontade, as soluções aparecem”; Até a bolsa grega fechou em alta, confiante numa resolução próxima de um impasse que já se prolonga há 5 meses.

Lagarde-VaroufakisContudo, todas ou pelo menos grande parte destas aspirações foram deitadas por terra com o abandono da mesa de negociações por parte do FMI. Alguns relatos dizem que os responsáveis da Troika insistiam no corte das pensões dentro de um conjunto mais alargado de reformas, algo a que o governo grego se mostrou intransigente. Este revés é particularmente preocupante dado estarem a aproximar-se várias datas de compromissos cruciais para a Grécia, como a reunião do Eurogrupo, agendada para o próximo dia 18, e o pagamento de 1.6 mil milhões de euros ao FMI até ao final do mês, do qual depende o desbloqueio da próxima tranche de apoio financeiro na ordem dos 7.2 mil milhões.

Os media gregos encaram a recua do FMI como uma “bomba atómica”, isto depois de no início do dia o ministro da Economia grego, Giorgos Stathakis, ter deixado o aviso ao povo grego de que um eventual acordo iria implicar um aumento de impostos. O anúncio foi feito através da emissora nacional ERT, que voltou a abrir esta quinta-feira depois de ter sido encerrada como consequência da austeridade há já 2 anos.

A possibilidade de um cenário de “Grexit” (Greek Exit) aumenta, mas a toalha ainda está longe de ir ao chão. Em reação à retirada do FMI, o governo de Alexis Tsipras anunciou que iria continuar a trabalhar nas “ questões não resolvidas, incluindo os impostos e a sustentabilidade da dívida”, tendo-se mostrado confiante na obtenção de um acordo muito em breve. Já quanto ao FMI, a mensagem foi clara. “A bola está do lado grego”, dizem, sem deixar de sublinhar, contudo, que “o FMI nunca abandona a mesa”.

Descomplicador:

O Fundo Monetário Internacional fez regressar a Washington a equipa que negociava um acordo com a Grécia em Bruxelas. A decisão representa um duro contratempo para o governo grego, que tem até ao final do mês para cumprir prazos de pagamentos cruciais para evitar uma situação de incumprimento.

xhegml@anappthat.com'
Publicado por: Rui Miguel Pereira

Finalista de Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social. Foi coordenador dos noticiários da ESCS FM, onde também participou em vários programas, e redactor no Bola na Rede. Colabora também com o Shifter

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