Tudo o que é preciso saber sobre a privatização da TAP

Após frequentes avanços e recuos no processo, a compra da TAP pelo consórcio Gateway foi oficializada esta quinta-feira. O Panorama organiza toda a informação que tem rodeado o processo de privatização.

Fernando Pinto TAP

Fernando Pinto, o agora ex-presidente da TAP

Quanto vale a TAP?

As avaliações encomendadas pelo Estado traduzem-se em dois resultados negativos. No momento actual, a Deloitte avalia a TAP em 274 milhões de euros negativos e a PwC em 512 milhões de euros negativos.

Afinal, por quanto é que o Estado a vendeu?

A TAP foi vendida por um total de 354 milhões de euros. O valor explica-se através de várias componentes: 338 milhões de euros correspondem à injeção de dinheiro na empresa; acrescem dez milhões para o Estado e soma-se um mínimo de seis milhões a pagar ao Estado, correspondentes aos restantes trinta e quatro por cento da empresa. No entanto, esta última parcela pode variar: dependendo dos resultados operacionais da TAP deste ano, os seis milhões podem subir até ao valor de cinquenta milhões. Para mais, no caso de se dar uma venda da empresa em bolsa nos próximos quatro anos, o Estado recebe até mais noventa milhões de euros, somando nestes cenários até 488  milhões de euros o valor total da venda.

Quais são os planos para a empresa?

Uma das primeiras propostas para a transportadora aérea é a compra de cinquenta e três novos aviões, com chegada prevista para entre 2017 e 2025. Os novos equipamentos serão Airbus Neo, uma vez que estes consomem menos combustível.

Porque é que a proposta da Gateway ganhou o concurso?

A proposta do consórcio Gateway, do norte americano e brasileiro David Neeleman, do Grupo Azul, e do português Humberto Barbosa, da empresa Barraqueiro, destacava-se, segundo o governo, no que respeita aos aspectos de providenciar uma melhor capacidade económico-financeira do grupo, ao valor apresentado para obter ações e às estratégias previstas. Passos Coelho lembrou que desde 1997 que se procura solução para a situação da TAP e que a atual maioria conseguiu uma solução “inequívoca”.

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David Neeleman, que venceu o concurso

Quais foram as reações aos moldes do negócio?

O processo viu-se desde o início rodeado de controvérsia e a conclusão não foi excepção à regra. Numa sessão parlamentar que o Bloco de Esquerda pediu para discutir a venda da TAP, o deputado do PS Rui Paulo Figueiredo ironizou a situação, afirmando que “é uma vergonha vender a TAP por metade do Jorge Jesus.”. O deputado acusou ainda o ministro da Economia, Pires de Lima, de defender interesses estratégicos e não o interesse do país, acusando-o de esconder a documentação relativa ao processo e deixando no ar a possibilidade de o PS, a ser governo, reverter o processo. Também António Costa falou de um “suspeitíssimo secretismo”.

O PCP já tinha falado de um “crime contra a economia e soberania nacionais”, e nesta sessão reforçou que “não há preço para vender o país”.
Já o Bloco de Esquerda, pela voz de Mariana Mortágua, assegurou que vai  recorrer a todos os meios, incluindo os judiciais, para “travar uma doação” a privados, decidida pelo Governo numa “noitada” que não o deixou “dormir sobre o assunto”.

Descomplicador:

A TAP foi vendida esta quinta-feira ao consórcio Gateway por um total de 354 milhões de euros, dez dos quais serão diretamente encaminhados para os cofres do Estado.

 

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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