Marinho e Pinto já fala em abandonar partido que fundou

Marinho e PintoO inicio do Partido Democrático Republicano (PDR) não está a ser como António Marinho e Pinto idealizou. O já eleito presidente do partido disse num comunicado difundido hoje por um dos fundadores, João Marrana e partilhado na página oficial do partido que no caso das eleições para o Conselho Nacional correrem mal, “então eu assumirei o fracasso de o ter criado e sairei em fidelidade aos meus princípios de sempre”.

A polémica com a eleição do Conselho Nacional (CN) do PDR decorreu na primeira Assembleia Geral de Filiados, quando Marinho e Pinto acusou Alexandre Almeida de ter levado centenas de seguidores da Igreja Maná para votar na sua lista para o CN, suspendendo imediatamente os trabalhos e marcando novas eleições para este orgão, entre os dias 15 a 19 por correspondência e dia 20 presencial.

Marinho e Pinto tinha sido já eleito presidente do PDR sem votos contra, mas para o Conselho Nacional surgiu uma lista de oposição, gerando enorme confusão. Após suspensão dos trabalhos e marcação de novas eleições para este orgão, surgiram até ao dia 8 de Julho, último dia para apresentação de candidaturas, três listas: uma apoiada por Marinho e Pinto, outra liderada por Alexandre Almeida e ainda uma outra liderada por Eurico Figueiredo, membro fundador do partido.

No comunicado difundido hoje por João Marrana, outro dos fundadores do PDR, e partilhado na página oficial do partido, Marinho e Pinto, que assina o texto afirma que “a lista que constituí procurou representar o PDR no seu conjunto, nomeadamente, a sua implantação territorial, o equilíbrio de género, a diversidade profissional e de idades, todos unidos no assumido propósito de mudar Portugal para beneficiar os portugueses e não para benefício do partido e dos seus membros”, lançando ataques tanto à lista de Alexandre Almeida como de Eurico Figueiredo.

De Alexandre Almeida, Marinho e Pinto afirma que “a Lista B, cujos mentores estão directamente ligados aos incidentes que levaram à suspensão do congresso (o cabeça de lista e muitos dos seus membros são os mesmos) (…) sei bem o que querem do PDR os seus organizadores”. Quanto à lista de Eurico Figueiredo, um dos elementos que fundou o PDR com Marinho e Pinto, o ex-bastonário diz que “surpreende-me só ter tido conhecimento dela pelo Jornal de Notícias onde o seu mentor declarava que pretendia unir o partido de Marinho e Pinto (sic)”, acrescentando que “não vislumbro quais as diferenças que separavam Eurico Figueiredo de mim, que justificassem a formação de uma lista para concorrer contra a que eu anunciara, pois, até então, dele só tinha recebido elogios alguns dos quais manifestamente exagerados”.

Marinho e Pinto lamenta desunião e fala em saída

Marinho e PintoCom o aparecimento de duas listas de oposição, António Marinho e Pinto lamenta que “numa altura em que o partido deveria estar unido (e dar para o exterior sinais claros dessa unidade) para começar os combates necessários à mudança do país (…) as listas B e C concorrem contra a lista que formei e apresentei e, portanto, estão contra mim e contra o projecto de unidade que a Lista A encarna”. O agora eleito presidente do partido diz ainda que “é preciso que todos assumam essa verdade e não a tentem disfarçar com declarações hipócritas de apoio ao Presidente do PDR”.

Com esta oposição, Marinho e Pinto não foi de meias medidas no texto que assinou e garante que “o PDR não foi criado para arranjar empregos para os seus filiados, sobretudo para quem não gosta de trabalhar”, dizendo que “desiludam-se, pois, todos os que pensam que eu pactuarei com essas práticas dentro partido. Se esses métodos triunfarem dentro do PDR é porque este partido é igual aos outros – e então eu assumirei o fracasso de o ter criado e sairei em fidelidade aos meus princípios de sempre”

Marinho e Pinto diz que “aqueles que pensam usar o PDR como instrumento para incrementar amiguismos ou para alcançar benefícios pessoais que eu sempre critiquei nos outros não têm lugar dentro deste partido – ou então sou eu que estou a mais”, deixando assim a porta da saída aberta e a decisão nas mãos dos militantes do Partido Democrático Repúblicano, terminando ao dizer que “a partir de agora a escolha já não é minha”.

Recorda a entrevista de Marinho e Pinto ao Panorama, AQUI e AQUI.

Descomplicador:

Marinho e Pinto difundiu hoje um comunicado onde deixa a porta aberta à sua saída do Partido Democrático Republicano, caso as duas listas de oposição que apareceram para o Conselho Nacional triunfem nas eleições que terminam dia 20 de Junho.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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