Braço de ferro entre Grécia e Bruxelas continua

As negociações entre Bruxelas e Grécia estão suspensas desde ontem por decisão do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e o empréstimo acaba no dia 30 de junho. No entanto, ambas as partes parecem estar à espera de cedências para avançar. O Panorama compila os acontecimentos dos últimos dias na cronologia grega.

Após a rejeição pelo FMI da proposta de substituir os 400 milhões de euros em cortes em pensões baixas por cortes no orçamento para a Defesa – uma proposta aprovada pela Comissão Europeia -, a tensão subiu entre a Grécia e os credores internacionais. De recordar que o ministro das finanças grego, Yanis Varoufakis, considerou “ridículo” e uma nova “versão das propostas falhadas que se apresentaram no passado” o conjunto de propostas do FMI relativamente aos pensionistas. Varoufakis já afirmou que dirá “sim” a qualquer acordo que inclua a reestruturação da dívida grega, por acreditar ser esta a solução para pagar tanta dívida” e não a concessão de mais empréstimos. A Grécia continua a esperar acordos, reafirmando, no entanto, que não vai ceder a políticas que alimentem a austeridade, como cortar pensões ou aumentar o IVA.

Varoufakis

Por sua vez, a porta-voz de Bruxelas, Annika Briedthardt, recordou que “isto não é uma via de apenas um sentido”, esperando reações de Atenas. Também a comunidade internacional tem sublinhado que espera que a Grécia faça cedências. O presidente francês Fraçois Hollande aconselha os gregos a “não esperar” e a “negociar com as instituições”; já Cavaco Silva afirma que “a Grécia tem de facto de se convencer e é provável que  depois destes meses de negociações e de contactos com a troika e os dirigentes políticos de vários países, esteja mais consciente da realidade que não pode de facto ignorar”, relembrando que o país não pode constituir uma “excepção”.

Entretanto, esta suspensão das negociações com a Grécia já afetou os mercados. Os yields, ou rendimentos, sobre as obrigações gregas a dez anos (data de referência) dispararam para 12,23%, não tendo ainda chegado ao máximo de 13,6% que se deu em abril. Quanto às yields no prazo de dois anos, o salto foi até aos 28,23%.

Descomplicador:

A situação da Grécia complica-se, com as negociações suspensas e o prazo para empréstimo a terminar no final deste mês. O Presidente da República portuguesa relembrou que a Grécia “não é uma excepção”.

 

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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