Bastião de António José Seguro dá lição de união ao Partido Socialista

António José Seguro António CostaFoi num dos últimos redutos de António José Seguro que o Partido Socialista deu sinais de união antes de “partir para o combate mais imediato” que são as legislativas de Setembro/Outubro. António Gameiro presidente da Federação Distrital de Santarém foi apoiante de Seguro desde a primeira hora e foi dos poucos presidentes de distrital que conseguiu vencer a apoiante de António Costa, mas na Universidade de Verão do PS em Santarém, no Sábado, 20 de Junho, estiveram algumas das principais figuras da liderança de Costa.

No entanto e porque antes de uma grande batalha todos querem dar sinal de união, a antiga adversária de António Gameiro na corrida à distrital scalabitana, Maria do Céu Albuquerque esteve praticamente todo o dia sentada ao lado do actual presidente da estrutura distrital e deputado por Santarém, e a questão da união foi mesmo aflorada no inicio dos trabalhos.

Pelo auditório da Assembleia Distrital de Santarém estiveram alguns dos nomes mais influentes da liderança de António Costa como João Tiago Silveira, coordenador do gabinete de estudos, Mário Centeno, coordenador do grupo que preparou o cenário macro-económico, Tiago Barbosa Ribeiro, presidente do PS Porto e um dos primeiros apoiantes de Costa e ainda Porfirio Silva, secretário nacional do PS e um dos nomes que integra o núcleo duro de António Costa.

Das figuras ligadas à liderança de António José Seguro, para além dos elementos ligados à federação distrital e alguns autarcas da região, também esteve o “reitor” desta universidade, o eurodeputado Carlos Zorrinho, ex-líder parlamentar do PS “segurista”.

Curiosamente foi no dia após o lançamento de uma sondagem que dá a vitória à coligação PSD/CDS que o Partido Socialista deu este sinal de união, num dia de formação para militantes e simpatizantes do partido que serviu sobretudo para alinhar estratégias de comunicação para passar a mensagem do PS ao exterior.

Socialistas desvalorizam sondagens mas mostram preocupação com a mensagem

Os militantes socialistas desvalorizaram ao longo do dia as sondagens, afirmando que elas não escondem aquilo que o Governo tem feito, no entanto praticamente todos revelaram preocupação com o facto de a mensagem do PS não estar a passar para o exterior e parece ter sido essa a tónica dominante das intervenções da maioria dos oradores presentes.

O líder da distrital da Juventude Socialista, Tiago Preguiça foi o primeiro a falar do tema quente do dia, ao dizer que “não são as sondagens que mudam o que as pessoas sentem no dia-a-dia”. Também a dirigente distrital do Departamento das Mulheres Socialistas, Maria da Luz Lopes disse que “as sondagens valem o que valem, mas a maioria não confia neste Governo”.

Porfirio Silva, secretário nacional do PS disse que “os estudos de opinião têm mais dados que as intenções de voto”, enquanto João Torres, secretário-geral da Juventude Socialista afirmou que “é falso que o PS esteja a descer, mas a verdade é que também não está a descolar tanto como queria”.

Credibilidade e exigência. A mensagem tem que passar para o exterior

Porfirio Silva Tiago Barbosa RibeiroEm comum a quase todos os oradores esteve também a exigência de melhorar a forma de passar a mensagem daquilo que são as propostas do Partido Socialista. Duas das figuras mais proeminentes dessas propostas, Mário Centeno e João Tiago Silveira não tiveram dúvidas em afirmar que “a credibilidade é um activo do PS, é uma palavra que temos de chamar a nós” e “fico espantado porque é que só pedem credibilidade ao PS”, respectivamente. Mário Centeno referiu ainda que “do outro lado, o discurso é muito simples”.

Um dos responsáveis pela estratégia de comunicação do partido, Porfirio Silva, disse que “as pessoas estão convencidas que fazemos tudo melhor, o que não estão ainda convencidas é do funcionamento económico das propostas”, sublinhando que “é isso que é preciso explicar”. O secretário nacional do PS disse ainda que “temos de explicar às pessoas os detalhes das nossas propostas, pegar em duas ou três e explicá-las bem”, não se mostrando disponível para “fazer uma campanha de slogans e chavões, isso não”.

Porfirio Silva disse ainda que “os militantes socialistas não são um exército a marchar para a vitória em Setembro ou Outubro”, sublinhando a necessidade em explicar as propostas, numa fase em que a campanha começa a ficar “mais dura, mais de combate, mais do superficial”, aproveitando assim a Universidade de Verão do PS para um debate “mais profundo, antes da aceleração da campanha”.

Grécia, emprego e juventude são temas em destaque

Mário CentenoO responsável pelo cenário macro-económico, Mário Centeno fez questão de falar de duas das questões mais preocupantes dos últimos tempos, a segurança social e a questão da saída da Grécia. Centeno referiu que o “corte nas pensões prejudica as famílias e apenas se reflecte num terço nas contas públicas”, mostrando que a proposta não resolve o problema.

Manuel Caldeira Cabral, professor universitário e um dos economistas do grupo do PS, disse que “duas opções erradas não são as únicas existentes”, referindo-se ao caminho escolhido pelo Governo português e à estratégia do Syriza na Grécia.

O secretário nacional, Porfirio Silva referiu que um dos problemas do país “é ter visões a curto-prazo o que leva a que ninguém se organize” referindo ainda que o “emprego é uma das prioridades do PS e é vital na ligação entre as questões sociais e económicas” referindo também a necessidade de “juntar gerações” como uma das apostas de António Costa.

João Torres, líder da Juventude Socialista acusou ainda o Governo de “apresentar uma mão cheia de nada e outra cheia de coisa nenhuma”, revelando preocupação pelo facto de “a emancipação dos jovens estar a surgir cada vez mais tarde”.

Ao Panorama, Hugo Costa, director da Universidade de Verão e coordenador do gabinete de estudos distrital disse que “o balanço é muito positivo. Saímos todos mais preparados para o combate político e para vencer as legislativas”, dizendo que na iniciativa foi passada uma “uma mensagem foi a confiança numa alternativa contra o medo que o actual Governo quer instalar”. Segundo Hugo Costa, esta “foi também muito importante para a construção do programa eleitoral no distrito”.

Descomplicador:

Foi num dos distritos mais ligados a António José Seguro que o PS deu um forte sinal de união ao convidar para a Universidade do Verão da distrital de Santarém algumas das figuras mais fortes da liderança de António Costa. Socialistas mostram preocupação com a eficácia da mensagem que se está a reflectir nas sondagens.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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