Militantes de outros partidos participaram nas primárias do LIVRE

Tempo de AvançarO Livre/Tempo de Avançar levou a cabo as eleições primárias para escolha dos candidatos a deputados à Assembleia da República nas eleições legislativas deste ano. Depois da iniciativa ter sido levada a cabo nas Europeias, agora a experiência foi repetida para as legislativas e será também para as presidenciais. No entanto, o regulamento das primárias permitiam a participação de militantes de outros partidos. O Panorama falou com André Couto, presidente da Junta de Freguesia de Campolide, eleito pelo Partido Socialista, que participou nestas primárias.

O regulamento do Tempo de Avançar permitia a participação de militantes de outros partidos enquanto votantes nestas primárias, e o militante socialista disse ao Panorama que “o Partido LIVRE ditou as regras e eu senti que me encaixava nelas, tal como já me tinha encaixado da primeira vez que fizeram este processo, nas Europeias“.

André Couto afirma que “o Partido LIVRE, neste processo, chamou explicitamente militantes de outros partidos a participarem nesta decisão“, dizendo que sendo “um fã incondicional das primárias, seria uma incoerência ver um partido, da minha área política, lançar este apelo tão aberto e não responder afirmativamente, ainda mais quando, por sorte, muitos amigos e conhecidos com quem me cruzei nos últimos anos eram candidatos“.

O presidente da Junta de Freguesia eleito pelo Partido Socialista garante ainda ao Panorama que “aqueles em quem votei neste processo seriam excelentes deputados à Assembleia da República“, acrescentando que “alguns deles foram eleitos para a Assembleia Municipal de Lisboa, nas listas da coligação que o Partido Socialista encabeçou em Lisboa“,

O militante socialista que integra também a Comissão Politica Concelhia do PS afirma que “não votar neles em nada diminui o meu voto“.  As primárias do Livre/Tempo de Avançar decorreram no fim-de-semana de 20 e 21 de Junho e os resultados foram dados a conhecer hoje em conferência de imprensa.

“Um líder partidário só deve ser eleito pelos seus militantes”

André CoutoAndré Couto que promoveu na sua freguesia um referendo popular acerca da calçada portuguesa e por isso se confessa fã da participação dos cidadãos em várias vertentes, diz que na sua opinião “excluindo os candidatos presidenciais, porque têm um enquadramento constitucional diferente, num período em que é generalizado o sentimento de crise da democracia e suas instituições, compete aos partidos a busca e implementação de novas soluções que possam apagar essa crise“. 

Assim, no seu entender, “o envolvimento, sem tabus, dos cidadãos não militantes, nas principais decisões políticas internas, de impacto externo, pode ser uma forma decisiva de aproximação, até pelo sentimento de portas abertas e transparência que esse movimento demonstra“, acrescentando no entanto que “um líder partidário só deve ser eleito pelos militantes do partido, não vejo sentido em que órgãos internos sejam sufragados por não militantes“.

Segundo o actual presidente da Junta de Campolide, os “órgãos internos de funcionamento dos partidos são o que estes têm de mais íntimo, pelo que devem ser definidos apenas por aqueles que se envolvem na militância activa“, dizendo que se deve estabelecer uma fronteira e que deve ser “a abertura só à definição de candidatos e não à eleição de dirigentes internos“. Desta forma a militância não passa para segundo plano, tendo em conta que segundo o que diz ao Panorama, “os cidadãos não militantes podem ser chamados a votar em candidatos a candidatos que tenham de ser, obrigatoriamente, militantes desse partido“.

Descomplicador:

André Couto é presidente da Junta de Freguesia de Campolide em Lisboa eleito pelo Partido Socialista, mas participou nas primárias do Livre/Tempo de Avançar. Ao Panorama, o militante socialista diz que “o envolvimento, sem tabus, dos cidadãos não militantes, nas principais decisões políticas internas, de impacto externo, pode ser uma forma decisiva de aproximação, até pelo sentimento de portas abertas e transparência que esse movimento demonstra“.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *