Um ano depois, o balanço da proclamação do Estado Islâmico

Foi a 29 de junho de 2014, primeiro dia do Ramadão, que a conta de Twitter do Estado Islâmico anunciou a chegada de “boas notícias para a raça muçulmana”. Um ano depois, o Panorama faz um balanço daquilo em que essas primeiras notícias se traduziram para o mundo.

1. A proclamação do califado

A proclamação oficial de um califado nas áreas da Síria e do Iraque dá-se no mesmo dia em que se anunciam as “boas notícias” para a raça muçulmana. Abu Bakr Al-Baghdadi foi anunciado como autoridade máxima e apareceria em público uma única vez, poucos dias depois, a 4 de julho – o mês passado, o Estado Islâmico continuava a difundir gravações que dizem mostrar a voz do seu líder. Segue-se o anúncio de referendo pela independência no Curdistão e a tomada de novas cidades iraquianas e cidades sírias com petróleo.

Estado Islâmico

2. Mostras de extremismo religioso

Uma das primeiras mostras de violência massificada a que o mundo ocidental teve acesso foi a perseguição a cristãos anunciada no mês de julho, em Mossul. Membros do Estado Islâmico marcaram as portas dos cristãos da zona e deram-lhes as opções de conversão ou morte. No mês seguinte, 800 pessoas da etnia muçulmana Sheitat recusam converter-se e são massacradas.

3. Decapitação de prisioneiros

James Foley, jornalista norteamericano, é executado num vídeo transmitido por todo o mundo. O mesmo destino acaba por ter de seguida o colega Steven Hotloff e depois muitos outros reféns do Estado Islâmico, que se descobre entretanto esconder aos prisioneiros a forma como vão morrer, fingindo apenas ensaiar um vídeo, para que estes aparentem calma.

Estado Islâmico 2

4. Execução de civis

O califado executa no Iraque, já em setembro do ano passado, cinco civis, acusando-os de conspirarem contra o Estado Islâmico.

5. Apelos internacionais e propaganda eficaz

Ainda no ano passado, o Estado Islâmico pede aos seus apoiantes ações contra alvos nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e França. Entretanto, o califado monta estratégias de marketing eficazes: as vitórias merecem muito mais ênfase do que as derrotas nas mensagens para os apoiantes do regime; os vídeos de execuções tornam-se muito elaborados; e as estratégias traduzem-se no recrutamento de perto de vinte mil estrangeiros para combater pelo Estado Islâmico, segundo dados do início deste ano.

Descomplicador:

Passado um ano do anúncio oficial do início do califado, é altura de fazer um balanço e rever os primeiros sinais e ações de extremismo enquanto regime, de ações de mobilização a massacres, perseguições e execuções gravadas e difundidas pelo mundo.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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