Mariana Mortágua e Jorge Costa apresentam “Privataria”

O novo livro de Mariana Mortágua e Jorge Costa, Privataria, foi apresentado ao fim da tarde desta quinta-feira, em Lisboa. Se a Bertrand do Picoas Plaza se mostrava estranhamente vazia à hora marcada para o início da sessão, poucos minutos depois pouco espaço sobrava para quem quisesse ouvir Mariana Mortágua, Jorge Costa e Eduardo Boavida, da parte da editora.

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Após uma breve apresentação de Eduardo Boavida, que recordou que numa altura em que “se tenta criar um consenso sobre quase tudo, importa discutir quase tudo”, Jorge Costa tomou a palavra perante uma plateia cheia e muitos curiosos que chegavam já tarde. Explicando a estrutura da obra, que disse ter sido escrita em “contra relógio”, Costa referiu que esta se divide em duas grandes partes – uma focada no contexto histórico para melhor explicar os negócios de privatização portugueses desde o período do PREC e da integração europeia, e outra focada na análise dos casos em si.

Para o co-autor, esta é uma obra sobre “o empobrecimento da democracia portuguesa”. Após o que classifica como uma “experiência intensa e descarada” com a Troika, Jorge Costa sublinhou que a redução do Estado às suas funções soberanas é uma expressão “manipuladora” com fins prejudiciais para o poder de decisão do país.

Jorge Costa declarou ainda que o principal caso analisado, o da privatização da TAP, se distingue não pela dimensão ou pela natureza do negócio, mas o facto de o modelo português ter chegado a um impasse no seu desenvolvimento de economia que se quer “periférica”, “desprodutivizada” e “vulnerável”. O co-autor de Privataria aproveitou ainda para acusar o atual governo de “crimes contra a economia”, levados a cabo numa lógica mercantil de acumulação de capital particular.

IMG_20150701_190548A nova figura de destaque do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, falou por último, começando por afirmar, no seu estilo próximo do público, que lhe caberia convencer as pessoas a comprar o livro”, após a mais teórica apresentação de Costa. Através do estilo de discurso simples que tem convencido e recorrendo a exemplos simples, a bloquista argumentou que as privatizações servem sempre “uma lógica de reforço da burguesia”, seja da parte de Cavaco Silva após o período de revolução ou numa lógica mais recente de burguesia internacional.

Tal como Jorge Costa, a deputada lamentou a “perda de democracia” decorrente destes processos, em que considera que as promessas feitas “foram sempre violadas”. Para Mariana Mortágua, o que importa não é considerar se há boa gestão ou boas intenções neste tipo de negócio, uma vez que se se gere a favor do lucro dos acionistas, gere-se sempre “contra o interesse do país”, razão pela qual, por exemplo, a PT “já não é a PT, é outra empresa qualquer”. A economista referiu ainda na sua intervenção a pouca transparência dos negócios feitos por este governo.

Descomplicador:

Foi ontem apresentado o livro Privataria, de Mariana Mortágua e Jorge Costa, que incide principalmente sobre a TAP, entre outros casos de privatização de empresas portuguesas.

 

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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