Referendo na Grécia: o que significam o “sim” e o “não”

É já este domingo que se vão referendar as propostas dos credores da Grécia, divulgadas este fim de semana pela Comissão Europeia. O Panorama desvenda e organiza o que rodeia a votação que está a causar dúvidas.

1. A pergunta

Comecemos pelo princípio: a pergunta que vai ser colocada ao povo grego não é simples. A formulação concreta é: “Deverá ser aceite o projeto de acordo que foi apresentado pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional no Eurogrupo de 25.06.2015 e que consiste em duas partes, que constituem a sua proposta unificada? O primeiro documento intitula-se ‘Reformas para a Conclusão do Presente Programa e Mais Além’ e o segundo ‘Análise Preliminar à Sustentabilidade da Dívida’.”

Para além da complexidade da pergunta, supõe-se que os cidadãos tenham consultado os documentos mencionados, que não tinham esta semana tradução em grego divulgada.

Os boletins de voto tinham de estar impressos até a passada terça-feira, estando portanto já decidida a questão a colocar de forma definitiva.

2. As propostas

tsipras juncker

As propostas mencionadas na pergunta a colocar aos gregos resumem-se em alguns pontos principais: o aumento dos restaurantes para 23%; abolição do IVA reduzido nas ilhas; abolição de benefícios fiscais para agricultores; cortar 900 milhões de euros em apoios sociais; redução imediata das reformas antecipadas; abolição gradual do subsídio de solidariedade para pensões baixas; corte de 700 milhões de euros nas receitas dos fundos de pensões; aumentar a contribuição dos pensionistas na saúde em 2%; congelar pensões até 2021; redução dos salários da função pública; continuar privatizações das empresas de redes elétricas e das ações da OTE (telecomunicações);  impedir a taxação de 12% sobre os lucros das empresas acima de 500 mil euros em 2014; impedir o regresso dos valores das contribuições de empregadores e trabalhadores que vigoravam até 2014.

Constata-se assim novos e pesados cortes nas pensões, um dos pontos em que o governo grego tem mostrado mais resistência, e pontos que podem prejudicar o turismo grego, assim como a insistência na importância das privatizações.

3. A campanha

tsipras

O Syriza lançou um comunicado em que apela ao “não” – “digno e orgulhoso” – no referendo deste domingo. O partido do governo lamenta que o programa seja “asfixiante” e afete apenas “os mais pobres e mais fracos”.

Para o partido de Tsipras, a proposta consiste num “ultimato” que perpetua a “austeridade destrutiva”, austeridade que visa também “abolir a democracia” grega”. Afirmando que tem levado a cabo todas as tentativas de negociação e acordo “honesto”, o Syriza afirma no comunicado que o outro lado exibiu “pura e simples intransigência” fruto da vontade de “humilhar” o governo grego.

O comunicado termina assim referindo a “chantagem”, “terror” e “mentira organizada” que o Syriza defende estar a ter lugar, pedindo o não “àqueles que desejam que a Grécia seja humilhada e subordinada”.

4. As previsões

As últimas sondagens não mostram uma vitória absolutamente clara de nenhuma das partes, apontando, no entanto, uma percentagem de nove pontos de avanço ao “não” às propostas dos credores. No entanto ontem surgiu já uma sondagem a apontar a vitória do sim, embora a percentagem de indecisos esteja a rondar os 6%.

Descomplicador:

A Grécia vai a votos este domingo para saber se aplica as propostas dos credores ou se rejeita mais austeridade.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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