Fórum Lisboa encheu para apoiar a Grécia

Grécia A crise europeia à luz da Grécia”. Foi este o mote que serviu para reunir mais de 700 pessoas ontem no Fórum Lisboa. Uma acção de solidariedade para com o povo helénico que teve como oradores José Reis, Marisa Matias, Eugénio Rosa, Hélia Correia, Freitas do Amaral, Francisco Louçã, Manuel Alegre e José Pacheco Pereira. Na plateia, não foram poucas as figuras públicas que marcaram presença: Catarina Martins, Ana Drago, Rui Tavares, Mariana Mortágua e João Araújo, o advogado de José Sócrates, foram alguns dos nomes que encheram ontem o Fórum Lisboa.

A sessão começou com a nota de boas-vindas de Helena Roseta, Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), enquanto a sala ainda recebia os espectadores mais atrasados, que por força da enchente que se verificava aquando do início desta iniciativa se começaram a instalar nas escadarias. Um dos espectadores que, por via do atraso, não encontrou lugar sentado e que, por isso, teve de encontrar conforto num degrau do Fórum Lisboa foi João Araújo, que cativou de imediato a atenção de alguns espectadores e outros tantos comentários.

O painel de comentadores não estava totalmente presente na casa da AML. José Reis enviou uma mensagem de vídeo desde Coimbra e Freitas do Amaral fez chegar uma carta que foi lida por um dos organizadores. Francisco Louçã só marcou presença mais tarde, mas ainda a tempo de intervir.

José Reis foi quem abriu as hostes. Criticando a posição do Governo português perante a situação grega e mostrando-se solidário para com a luta do povo grego e do governo de Alexis Tsipras, o Director da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra deu o pontapé de saída e tocou nos temas que mais tarde foram abordados pelo restante painel.

Marisa Matias ficou encarregada de dar seguimento à sessão. Com a plateia cheia e atenta, a eurodeputada arrancou os primeiros aplausos da noite e fez agitar algumas bandeiras da Grécia e levantar alguns cartazes com a inscrição “Solidários com a Grécia”. Marisa Matias frisou a ideia de que a Europa “é um projecto que já não interessa” porque se trata de “uma Europa de partido único”. A intervenção da eurodeputada do Bloco de Esquerda acabou com uma frase que foi retribuída com um longo aplauso: “no domingo vai-se votar ou na União Europeia ou na democracia”, fazendo alusão ao referendo que terá lugar dentro de dois dias na Grécia.

Grécia

Os espectadores ainda não tinham acabado de chegar quando Eugénio Rosa subiu ao púlpito e deu início à sua reflexão. “Para Cavaco a Grécia é um número” foi uma das frases que mais reacção criaram da parte da plateia: não só aplausos mas também assobios quando o nome do Presidente da República foi proferido.

A escritora Hélia Correia foi a interveniente que mais risos criou entre os espectadores. Declarações como “a economia tornou-se num mistério divino que, como os outros, nos faz vergar joelho e rezar a missa em latim” animaram a plateia, perante uma intervenção que a própria escritora apelidou de ser proveniente “de um cidadão comum, que não é especialista”.

A carta enviada por Freitas do Amaral, que não pôde estar presente por motivos familiares, foi curta mas não deixou de criar concordância entre os espectadores, que mais uma vez não se cansou de aplaudir. O fundador do CDS-PP afirmou que não acredita “que os resultados das reuniões tenha sido sempre 18 contra um”, o que o levou a questionar “onde estão os moderados?”.

Francisco Louçã foi chamado a intervir quando mal tinha aquecido a cadeira. A sua veia de político continua patente, uma vez que conseguiu galvanizar a plateia através de frases fortes e claras, que interrompeu o discurso do ex-dirigente do Bloco de Esquerda por diversas vezes. O economista falou de que a Europa de hoje em dia se trata de uma “Europa sem vergonha que fez da democracia uma cerimónia”.

Grécia Manuel AlegreManuel Alegre, um dos históricos do Partido Socialista, centrou o seu discurso na legitimidade que o governo grego tem para governar, frisando que é “a liberdade de todos os europeus” que está em causa se “um governo legitimamente eleito” não pode exercer as suas funções sem o “visto prévio de Bruxelas e de Atenas”. Acabou dizendo que “seja qual for o resultado, a Grécia já deu uma lição de dignidade e por isso a Grécia não será vencida”.

“Sei que já estão todos convencidos, mas não faz mal saírem ainda mais convencidos”, começou por dizer Pacheco Pereira. Encarregado de fechar a sessão, encarou o desafio de frente. Recordou três momentos ao longo da História em que a resistência venceu para relacionar com a actual situação helénica. O comentador político, arrancou risos e longos aplausos com declarações como “alguém anda a encolher o meu voto: não gosto, não quero e protesto”. Elogiando a actuação do executivo grego – “podem falhar mas resistiram”, disse – não deixou de condenar a atitude dos partidos socialistas europeus: “os socialistas acham que são membros suplentes do PPE”.

No fim da sessão, eram muitas as caras satisfeitas e animadas. Entre risos, gargalhadas, abraços e cumprimentos, a plateia saia com a sensação de dever cumprido e isso era perceptível pelas conversas que se ouviam à porta do Fórum Lisboa. Em declarações ao Panorama, João Araújo classificou esta iniciativa como “óptima” e afirmou ser um apoiante da Grécia, alegando que “se não apoiarmos a Grécia estamos tramados!”.

As pessoas foram deixando o recinto aos poucos, e as caras conhecidas foram desaparecendo a espaços. Pouco passava da meia-noite quando as portas fecharam.

Descomplicador:

A iniciativa “A crise europeia à luz da Grécia” teve lugar ontem no Fórum Lisboa. Uma sessão de solidariedade para com o povo helénico, que contou com casa cheia. Pacheco Pereira, Manuel Alegre, Francisco Louçã e Marisa Matias foram alguns dos intervenientes eu deixaram claro o apoio à Grécia e o protesto contra a posição do Governo português.

Publicado por: José Pedro Mozos

22 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Socia e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH - Universidade Nova de Lisboa. Foi comentador num programa da rádio da sua faculdade sobre actualidade política; editor de música da ESCS Magazine e escreveu para o site Bola na Rede. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, é jornalista na SIC Notícias.

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