Actualizado: Maria Barroso: As reacções à morte

Maria Barroso apelidada por muitos como “a eterna Primeira-Dama” faleceu esta madrugada depois de um acidente que a colocou em coma desde há uns dias. Não demoraram muito a surgir as primeiras-reacções desde as mais altas individualidades do estado até a um conjunto de anónimos que se cruzaram com a mulher de Mário Soares ao longo da vida nas diversas funções que foi assumindo.

Maria Barroso

Cavaco Silva

O Presidente da Republica, Aníbal Cavaco Silva enviou uma nota de condolências à família de Maria Barroso, onde entre outros afirma que era uma “mulher de cultura e de causas”, destacando ainda o seu papel na luta pela democracia. Cavaco Silva diz ainda que Maria Barroso dedicou “a sua vida à cultura portuguesa, ao ensino, à pedagogia e às causas sociais a que esteve ligada, fazendo-o com exemplar sentido cívico, animada pela densidade da sua fé e pela convicção inabalável nos valores da dignidade da pessoa humana, da justiça social e do serviço ao bem comum”, acrescentando que “o amor ao seu país e a dedicação à família constituíram referências para todos os portugueses, que no dia de hoje lamentam profundamente a perda de uma personalidade exemplar do nosso tempo”.

Assunção Esteves

A presidente da Assembleia da Republica disse na sua nota de condolências que “Maria Barroso lutou em todas as frentes pela dignidade humana e a justiça no mundo. A sua vida conjugou, de um modo ímpar, as qualidades de mulher e de cidadã” acrescentando que “esteve sempre presente nos momentos decisivos da nossa democracia, e também nos projectos e encontros do seu quotidiano”, dando um forte impulso ao “caminho da emancipação colectiva”.

Pedro Passos Coelho

O Primeiro-Ministro manifestou também o seu pesar pelo falecimento da ex-Primeira Dama, afirmando que “teve uma vida ímpar, toda ela dedicada ao serviço dos outros e à causa pública, tendo pugnado de forma intransigente por princípios, valores e ideais, tais como a defesa da democracia, o respeito dos direitos humanos e a elevação da dignidade da pessoa” e destacando ainda a sua “marca notável nas muitas instituições que fundou, ajudou a criar ou presidiu, nomeadamente a Fundação Pro Dignitate, a Cruz Vermelha Portuguesa, a Associação para o Estudo e a Prevenção da Violência e a Fundação Aristides de Sousa Mendes”.

Partido Socialista e António Costa

O Partido Socialista e o secretário-geral António Costa reagiram em comunicado, pedindo a todas as sedes do PS pelo país que colocassem a bandeira a meia-haste e destancando o facto de ter deixado a sua carreira para “lutar pela democracia ao lado do seu marido”, mas destacando que teve sempre “uma voz e um papel próprios nesse combate”. O PS destaca também o seu papel enquanto Primeira Dama, ao dizer que teve “uma acção permanente e influente nos mais diversos domínios sociais”. O Partido Socialista termina o comunicado dedicando-lhe um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen.

Maria Barroso 3

Jorge Sampaio

O ex-Presidente da Republica, Jorge Sampaio afirmou que “alguma coisa de nós também desaparece hoje”, destacando a sua “actividade pessoal e politica” que aliás o levou a condecorar a mulher de Mário Soares com a Ordem da Liberdade. Sampaio considerou Maria Barroso uma “personalidade brilhante” e revelou que dois dias antes da queda esteve com a ex-Primeira Dama num encontro onde revelou ainda estar “intelectualmente muito forte”.

António Guterres

O ex-Primeiro Ministro socialista referiu a “figura inigualável na vida pública portuguesa, pela sua intervenção política e cívica sempre a favor das causas mais nobres, pelo seu inabalável apego aos valores democráticos, pela generosidade com que renunciou a uma carreira brilhante, como atriz excepcional que era, para servir o país”. António Guterres referiu ainda a importância de Maria Barroso “em alguns momentos difíceis da minha vida pessoal, o que nunca poderei esquecer

Maria de Belém

A ex-Presidente do Partido Socialista, Maria de Belém Roseira disse que o falecimento de Maria Barroso marca a perda de “uma mulher e pedagoga extraordinária, que vai deixar muitas saudades”, acrescentando que a sua morte é ” um corte em relação à presença física de uma pessoa extraordinária, que teve uma vida de intervenção quando era difícil, que manteve sempre uma dignidade e uma capacidade de enaltecer”. Maria de Belém destacou ainda o facto de Maria Barroso “estar sempre disponível quando precisavam dela e quando achavam que a sua presença era importante, não só pelo seu simbolismo, como também pelo conteúdo, pela densidade e firmeza das suas intervenções”.

Manuel Alegre

O antigo candidato presidencial, Manuel Alegre destacou também o facto de Maria Barroso “ter acompanhado sempre Mário Soares, mas teve sempre o seu espaço próprio”, acrescentando que “foi ela própria uma grande figura pela liberdade e da cultura portuguesa”, onde referiu também a sua importância no teatro e na poesia portuguesa”.

Novo: Francisco Pinto Balsemão

O militante nº1 do Partido Social Democrata salientou ao jornal Expresso a “mulher extraordinária e uma cidadã exemplar”, referindo ter sido “uma pessoa de uma cultura notável, figura única na nossa sociedade, declamadora ímpar, soube como poucos aplicar a sua generosidade, a sua dignidade e a nobreza do seu carácter ao serviço do país”.

Novo: Freitas do Amaral

O fundador do CDS e posteriormente Ministro dos Negócios Estrangeiros de José Sócrates, disse no velório de Maria Barroso que “há um outro capitulo da vida dela que agora começa, que é o da influência, o do exemplo, o das sementes que ela plantou e que vão germinando neste colégio, na fundação, neste país”, referindo que o facto de não haver “uma pessoa que a tenha conhecido que não diga bem dela, é uma coisa raríssima e é um exemplo que deve ser mantido e regado como uma flor preciosa”, relembrando ainda quando Maria Barroso e Mário Soares lhe deram os parabéns pela fundação do CDS apesar das divergências ideológicas.

Novo: Pedro Santana Lopes

O antigo Primeiro Ministro e actual provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa disse em nota difundida pela Santa Casa que “Maria de Jesus Barroso foi sempre uma pessoa atenta aos problemas do país nos muitos papéis que desempenhou, marcando indelevelmente várias áreas da sociedade” acrescentando que “passou por momentos muito difíceis na vida, soube com a força da sua interioridade fortalecer a sua fé, sendo nesse aspecto também um exemplo para a Igreja”, para além da vertente cultural onde “desde os tempos de actriz, sabendo dizer poesia com brilhantismo, até aos dias em que, como primeira-dama, acompanhou os momentos altos da cultura nacional”.

Sampaio da Nóvoa

O candidato presidencial António Sampaio da Nóvoa disse em comunicado que Maria Barroso é “uma figura maior do Portugal da liberdade, da cultura e da consciência social” e que a “sua coragem, sempre presente, é um exemplo para todos nós”, acrescentando que a sua memória “prolonga-se muito para além do seu tempo e deixa-nos uma história que temos a obrigação de continuar”.

Novo: Henrique Neto

O também candidato presidencial Henrique Neto confessou que “ao longo dos anos habituei-me a admirar o seu espírito livre de lutadora incansável pela democracia, pelos valores da cidadania, pela cultura, pela solidariedade entre os portugueses e para com os mais pobres e os mais desfavorecidos”, afirmando que neste “momento de dor para a família de Maria Barroso, todos os portugueses recordarão a glória que foi a sua vida e se curvarão perante a sua memória que perdurará para além do tempo”.

Maria Barroso 2

Augusto Santos Silva

O ex-Ministro do Partido Socialista, Augusto Santos Silva diz na sua nota de homenagem que “a vertente que menos conta é a sua condição de ex-primeira dama. Evidente que é impossível olhar para Maria Barroso sem ver Mário Soares, mas a Maria Barroso fala por si”, revelando ainda que “era uma das melhores actrizes da sua geração — foi proibida pelo regime ditatorial de exercer a sua profissão — tentaram-na calar e ela nunca se calou”.

Francisco Seixas da Costa

O embaixador e ex-Secretário de Estado dos Assuntos Europeus de António Guterres, disse que Maria Barroso “é uma das figuras públicas portuguesas que, ao longo de todos estes anos, nunca me desiludiu”, acrescentando que é uma mulher “com uma dignidade de que o país se deve orgulhar, consagrando-se como uma personalidade com uma dimensão cultural e cívica que é muito rara entre nós”.

Paulo Rangel

O eurodeputado social-democrata, Paulo Rangel disse na sua página do Facebook que Maria Barroso para além da “ personalidade singular da vida política e cultural portuguesa”, foi uma “mulher que abraçou as grandes causas sociais e de dignidade humana” e que foi “sem dúvida, a mulher de Mário Soares. Mas conseguiu, com grande sageza e com uma elegância ímpar, fazer de Mário Soares o simples marido de Maria Barroso”.

Maria Barroso

Carlos Moedas

O Comissário Europeu, Carlos Moedas reagiu também ao afirmar que “Maria Barroso tornou seus os valores da Europa: dignidade humana, liberdade e democracia”, destacando também a sua luta por “um país mais aberto e tolerante”, concluindo que “a Europa e Portugal perdem hoje uma grande humanista”.

Álvaro Beleza

Um dos homens fortes de António José Seguro no Partido Socialista, disse também na sua página do Facebook que este é um “dia triste para a República” e que Portugal perdeu “uma mulher extraordinária e ímpar mas que o país ganhou uma referência única”.

Novo: Luis Filipe Menezes

O ex-Presidente do PSD e da Câmara de Gaia, referiu na sua página do Facebook que “nunca fui íntimo da Dra. Maria de Jesus Barroso Soares e muito menos sou militante ou simpatizante do partido de que também ela foi fundadora”, dizendo que é por isso mesmo que “tinha aquilo que faz com que milhões de portugueses hoje, apesar de serem de outra família política e de sequer nunca terem privado com ela pessoalmente, estejam tristes e acompanhem a sua família na sua dor”, dizendo que “transpirava “classe”, dignidade, sensatez e a segurança de quem respeita todos sem prescindir de uma saudável consciência da sua superioridade cultural e intelectual”

António Carneiro Jacinto

O antigo assessor de imprensa de Mário Soares na Presidência da Republica, também manifestou o seu pesar ao escrever que “Maria de Jesus Barroso Soares foi a mulher mais fantástica que tive oportunidade de conhecer,acompanhar em inúmeras ocasiões, conviver e apreciar”, dizendo que foi “uma enorme mulher, sempre na sombra de Mário Soares, uma mãe especial e uma avó estremosa” e que “Portugal deve-lhe uma homenagem especial”.

Paulo Cunha e Silva

O vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto disse na sua página do Facebook que Maria Barroso não era “a mulher atrás do grande homem”, mas sim “ao lado, com a dignidade de quem não se esconde e a contenção de quem não avança, e de que interpreta com sentido de Estado e desprendimento o seu lugar: ao lado” e que com a sua perda, Portugal se sente “um pouco desamparado e desequilibrado”.

Nuno Santos

O ex-director de programas da RTP e antigo aluno do Colégio Moderno começou por lamentar o facto de este ano não ter ido à festa do Colégio. Para Nuno Santos, Maria Barroso tem o mérito de ter estado sempre “onde era preciso. Em tantos momentos difíceis, de risco, de ruptura”, para além de ser “uma mulher de rara inteligência e sensibilidade”.

Novo: Júlio Isidro

O popular apresentador de televisão, Júlio Isidro, escreveu ao final do dia na sua página do Facebook que “deixou um mundo que acreditava que um dia seria melhor”, dizendo ainda que “levou esse sonho através de uma acção constante até ao fim” e que “deu a sua voz generosa à poesia e aos poetas porque para ela, só um país culto é um país livre”.

Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa

O assessor de comunicação do Hospital CVP disse que Maria Barroso “morreu no hospital que fundou”, acrescentando que a instituição “não esquecerá nunca o empenho e a forma entusiástica como há 18 anos, enquanto presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, contribuiu para uma nova fase da vida deste hospital, ajudando de forma decisiva a transformá-lo na unidade de referência que é hoje”.

Descomplicador:

Maria Barroso, ex-Primeira Dama e mulher de Mário Soares faleceu esta manhã. De todos os quadrantes da vida politica e da sociedade portuguesa, as mensagens de homenagem fazem-se ouvir, destacando o seu papel enquanto humanista e na luta pela democracia.

 

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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