Fernando Henrique Cardoso: “Eu governei com 6 ou 7 partidos, hoje temos 28”

Fernando Henrique CardosoO ex-Presidente da República do Brasil Fernando Henrique Cardoso esteve hoje na Fundação Calouste Gulbenkian para uma palestra sobre os desafios para o país do qual foi presidente entre 1995 e 2003, onde foi sucedido por Lula da Silva. Na palestra que encheu o auditório 2 da Gulbenkian estiveram muitos brasileiros, e também portugueses, para ouvir falar sobre a história do crescimento do Brasil mas também sobre a situação politica actual.

Apesar de se tentar) manter sempre à margem de grandes críticas partidárias, Fernando Henrique Cardoso criticou o desempenho de Dilma Roussef nalguns sectores, nomeadamente na gestão política do seu mandato. O ex-presidente referiu que no seu tempo de Governo “existiam apenas seis ou sete partidos e hoje existem 28, que têm beneficios”, acrescentando que esta é “uma receita que não pode dar certo”.

Fernando Henrique Cardoso disse que a actual presidente brasileira “não tem grande talento para o jogo partidário”, mas referindo que a descrença geral existe porque “há acusações graves que ultrapassam o deslize pessoal para o deslize organizado, de sectores poderosos dos país”. Numa “aula” que deu sobre política, Fernando Henrique Cardoso relembrou ainda os seus tempos de Ministro da Fazenda onde passou muito do seu tempo a falar com a sociedade, dizendo que “se as pessoas que governam o país não falam com o país, dificilmente o congresso fica sensibilizado. É preciso falar ao congresso, à sociedade, aos sindicatos. É preciso criar um clima de confiança”.

Ainda assim, Fernando Henrique Cardoso disse rejeitar uma visão negativista, afirmando que “apesar de tudo as instituições fortaleceram-se. Os juízes tomam decisões acerca dos poderosos”.

“A marca BRIC deu um passaporte para o mundo”

Fernando Henrique CardosoFernando Henrique Cardoso disse na parte inicial da sua exposição que a criação da marca BRIC foi muito benéfica para o país enquanto passaporte exportador. O ex-presidente referiu que “o Brasil resolveu a questão da dívida externa, convencendo os banqueiros de que o Brasil tinha condições para pagar a divida, mas isto foi feito sem o FMI”, acrescentando que “lutar contra os economistas não foi fácil”.

O presidente afecto ao Partido Social Democrata Brasileiro falou ainda da situação da “manutenção da taxa do salário mínimo acima da inflação. Hoje discute-se que o salário cresceu acima da produtividade, mas foi isso que garantiu bem estar e mobilidade social”. Fernando Henrique Cardoso mostrou-se ainda orgulhoso com o desenvolvimento da situação económica no Brasil, “não só no sector agrícola mas também na modernização da industria”.

Na fase reservada a perguntas e respostas, Fernando Henrique Cardoso voltou a falar da situação política actual de Dilma Roussef, afirmando que “se for encontrada alguma irregularidade dela têm que se tirar consequências e seguir a constituição, se for uma genérica, deixa seguir

Descomplicador:

Fernando Henrique Cardoso deu uma palestra na Fundação Calouste Gulbenkian onde falou do desenvolvimento do Brasil e da situação política actual, referindo quanto a Dilma Roussef que “se for encontrada alguma irregularidade têm que se tirar consequências”.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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