Ganhos na bolsa de Xangai após três semanas de perda

O Xangai Composite, principal índice da bolsa chinesa, encerrou esta quinta-feira a subir 5,8%, os maiores ganhos desde 2009. Esta subida é um exemplo da grande volatilidade do mercado chinês, que tem vindo a atravessar tempos difíceis.

Na quarta-feira, a bolsa chinesa tinha fechado com perdas similares aos ganhos de hoje: 5,9%, tendo aberto nesse dia com perdas no valor de 8%. O pânico tem vindo a ser noticiado um pouco por todo o mundo: 3,2 biliões de euros foram já perdidos, num total de três semanas.

bolsaA explicação para a volatilidade do mercado chinês pode ser o facto de este ser constituído em cerca de 80% por cidadãos, muitas vezes inexperientes neste tipo de decisões, o que faz com que o pânico se gere mais facilmente e que leva, segundo as autoridades, a fenómenos de “venda irracional”. Por outro lado, os investidores de longo prazo tiveram grandes ganhos durante o último ano, o que explica que agora estejam a sair ou a expor-se menos.

Perante estes eventos, o governo chinês já começou a tomar medidas – medidas essas que podem ter tido influência nos resultados positivos desta quinta-feira. Os acionistas com mais de 5% de empresas cotadas foram já impedidos de vender ações durante seis meses, dando assim nova estabilidade ao mercado. Para mais, foram canceladas ofertas de novas ações e limitadas as transações de investidores estrangeiros. Outras medidas são o financiamento de milhares de milhões de euros para que as corretoras comprem ações de empresas chave e a permissão para usar as habitações como garantia dos investimentos.

Até agora, estas medidas tinham apenas aumentado a desconfiança dos investidores, mas parecem estar a surtir efeito com as novas notícias de ganhos históricos.

Alerta-se agora para uma bolha especulativa nas bolsas de Xangai, a mais importante bolsa chinesa, e Shenzen, onde estão cotadas as ações na área da tecnologia. Perigosa pode ser esta situação para a economia mundial, hipótese que está a preocupar os especialistas. De acordo com Steen Jakobsen, o economista-chefe do Saxo Bank, “a China é agora a maior economia por poder de compra e a segunda em termos brutos e está a ter o comportamento em bolsa mais violento”, referindo-se assim a um possível “perigo global”.

Descomplicador:

A bolsa chinesa está a atravessar um período muito volátil. Depois de três semanas de perdas históricas e a aplicação de medidas do governo para travar a desconfiança dos investidores, dá-se agora uma subida histórica do índice Xangai Composite.

 

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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