Grécia: o fim de semana de todas as decisões

Está marcada para hoje a longa reunião do Eurogrupo que visa avaliar a proposta de acordo de Alex Tsipras. O primeiro-ministro grego apresentou a proposta esta quinta-feira, na sequência da demissão do ministro das Finanças anti-austeridade Yanis Varoufakis. Na votação no Parlamento Europeu que antecedeu esta reunião do Eurogrupo, os deputados do Syriza abstiveram-se ou estiveram ausentes, Varoufakis incluído.

O novo pacote de reformas visa conseguir o terceiro resgate e evitar a saída do euro, mesmo após o referendo de domingo, em que o “não” às medidas de austeridade europeias ganhou. Se ainda assim se der o “Grexit” – a saída grega da zona Euro – após a cimeira do Euro, que acontecerá no domingo, o presidente do Eurogrupo disse já ter preparado um “plano detalhado” para a eventualidade.

Tsipras Juncker

Mas afinal, o que está Tsipras a propor com este acordo?

O governo propõe alcançar um saldo orçamental positivo de 3,5% em 2018. Para tal objetivo, terá de efetuar cortes, aumentar o IVA e mexer nas pensões, contrariando a que tem sido uma das grandes bandeiras do Syriza até agora. Outra grande cedência é o estabelecimento do IVA da restauração a 23%, como os credores sempre quiseram, e a diminuição dos descontos para as ilhas com mais turismo. Com reformas como esta, o governo pretende conseguir uma receita que valha 1% do Produto Interno Bruto do país.

Pontos controversos, por porem em dúvida as maiores lutas do Syriza até agora, são os que se referem às pensões e à reestruturação da dívida – sem a qual Varoufakis dizia há dias que preferia cortar um braço” a assinar acordo. O governo propõe legislação retroativa a 1 de julho deste ano para poupar até 1% em 2016 no sistema de reformas. Terminaria assim o suplemento de solidariedade a que pessoas nesta posição têm direito até dezembro de 2019, sendo que no próximo ano quem tem reformas mais altas vai já sofrer cortes na ordem dos 20%. Também a idade de reforma deve aumentar para 67 e 62 anos (homens e mulheres) e 40 anos de contribuições em 2022, assim como as contribuições para a saúde.

Quanto à reestruturação da dívida, parece ser referida num documento anexo, que pede este acordo para depois de 2022.

O primeiro-ministro grego argumentou durante a votação das propostas no Parlamento grego que o plano pode ser “duro”, mas tem o valor de permitir um programa europeu, um acordo que possa acabar com a perspetiva de Grexit. Tsipras considerou ainda que sendo assim “a Troika como a conhecemos termina”.

Descomplicador:

A Grécia leva hoje ao Eurogrupo e amanhã à cimeira do Euro a proposta que aprovou ontem no seu Parlamento. O documento visa conseguir um acordo na Europa para o terceiro resgate e evitar o Grexit e divide opiniões.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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