Braço de ferro chega ao fim com acordo em Bruxelas

O primeiro-ministro belga, Charles Michel, anunciou esta manhã que o acordo sobre as reformas e o resgate na Grécia foi alcançado. Após 17 horas de negociações intensas em Bruxelas, entre a cimeira do euro e negociações bilaterais entre Angela Merkel, François Hollande e Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, ficou acordado que a Grécia terá direito a novo resgate financeiro, acompanhado por um plano de reformas de três anos.

-Segundo as primeiras informações que têm vindo a público, o primeiro-ministro grego acabou por ceder à maioria das exigências europeias, indo para lá das propostas que tinha apresentado ao parlamento grego esta quinta-feira e ao Eurogrupo este sábado. As razões para o prolongamento das negociações, que se estenderam desde a tarde de domingo, terão sido os desacordos quanto ao fundo de privatizações reclamado pelos credores e o envolvimento do FMI no novo programa. Até ontem à tarde, estavam em cima da mesa propostas como uma saída temporária da zona euro, a consulta de instituições como o Banco Central Europeu, Comissão Europeia e FMI sobre legislação antes de consultar o parlamento grego ou o povo grego ou a constituição de um fundo de 50 mil milhões de euros em bens imóveis do Estado a privatizar, cujo valor serviria para pagar parte da dívida.

Pedro Passos Coelho, que esteve presente na cimeira do euro a representar Portugal, já veio esta manhã em conferência de imprensa afirmar que o acordo é “equilibrado” e rejeitar a ideia de que o governo grego tenha sido humilhado ao ceder à maior parte das medidas impostas pelos credores. O primeiro-ministro português comparou ainda as situações de Portugal e Grécia, afirmando mesmo que os “quase mais 86 mil milhões de euros” que a Grécia vai receber representam “mais do que Portugal recebeu num só programa”. Passos Coelho vê assim a resolução da cimeira como uma “ação responsável e solidária” dos parceiros europeus.Tsipras Juncker

Também Donald Tusk veio afirmar já, via Twitter, que se alcançou o acordo por “unanimidade”. “A cimeira da zona euro alcançou um acordo por unanimidade. Está tudo pronto para um programa de ajuda para a Grécia por via do Mecanismo Europeu de Estabilidade, com importantes reformas e um apoio financeiro” foi a mensagem que Tusk deixou aos seus seguidores.

Devido a estas informações, que se traduzem também no fim da possibilidade da saída da Grécia da zona euro ou até mesmo de um Grexit temporário, apoiado por Alemanha e Finlândia, as bolsas abriram em alta esta manhã. Pelas oito da manhã, o EuroStoxx 50 estava a subir 1,64%, para 3.586,77 pontos. Este índice representa as principais empresas presentes na zona euro. As bolsas de Londres, Paris e Frankfurt também registaram subidas notáveis, ao avançarem 0,94%, 1,37% e 1,43%.

Descomplicador:

Foi finalmente alcançado um acordo que concede um terceiro resgate à Grécia a par de um novo plano de reformas pensadas sobretudo pelos credores, mantendo o país na zona euro, depois de 17 horas de negociações consecutivas.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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