Schäuble propõe banco que gere para o fundo grego

Alcançado o acordo, a polémica instala-se de novo: uma das reformas aprovadas pela Grécia e os parceiros europeus é a constituição de um fundo no valor de 50 mil milhões em imóveis que possam reverter para o pagamento da dívida grega e para a recapitalização dos bancos gregos. No entanto, surgem agora informações de que o banco no qual se realizaria o depósito seria o banco do qual Wolfgang Schäuble, o ministro das Finanças alemão, é chairman.

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O Instituto do Luxemburgo para o Crescimento, que é independente, situa-se no Luxemburgo, mas é gerido pelo KfW, banco estatal alemão. Além das ligações ao ministro das Finanças, também Sigmar Gabriel, ministro da Economia da Alemanha, as tem: é vice-chairman do banco.

Assim sendo, parece seguir a ideia de despolitizar a Grécia, entregando parte importante do poder económico a esta instituição de controlo alemão – ideia que era expressa no documento inicial, que mencionava mesmo o Grexit temporário como uma de duas hipóteses para o futuro do país.

Para mais, descobre-se agora que o CEO do banco estatal KfW é Ulrich Schröder, cuja carreira foi manchada pelos cargos no WestLB, banco que nos últimos sete anos já recorreu a um total de quatro resgates com recurso a dinheiros públicos.

O Instituto para o Crescimento já tinha investido na Grécia em altura de sufoco e de muita austeridade. No final do ano passado, a participação do capital investido distribuía-se na sua maior parte pelo Estado grego, em 350 milhões; 100 milhões pelo KfW; 50 milhões pelo Banco de Investimento Europeu; 30 milhões pelo Estado francês e 30 milhões pela fundação Onassis.

Descomplicador:

Uma das principais medidas do acordo com a Grécia, defendida pelo ministro das Finanças alemão, implica afinal o depósito de 50 mil milhões de euros de dinheiro público grego num fundo gerido por políticos alemães.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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