Passos Coelho: “As contas do memorando foram mal feitas”

Pedro Passos Coelho disse hoje, em entrevista à SIC, que se as medidas do seu governo superaram a austeridade prevista no memorando da troika foi porque “as contas foram mal feitas”, recordando que essas contas não foram feitas por si. Numa entrevista em que o primeiro-ministro recorreu à sua coerência e “previsibilidade” como bandeiras para explicar que dá mais importância ao crescimento da economia do que a resultados eleitorais, Passos arriscou dizer que sem estas medidas “estaríamos como a Grécia e a troika ainda estaria cá”.

As próximas eleições

Passos CoelhoConfrontado por Clara de Sousa com sondagens que o classificam como “mentiroso”, o primeiro-ministro defendeu que não se importa por ser conhecido pelas medidas “mais difíceis” e por ser a cara da austeridade. Em resposta à pergunta da jornalista sobre se ainda poderia reconciliar-se com os eleitores antes das eleições, lembrou assim que “há um ano ninguém diria que PSD e CDS-PP poderiam ganhar legislativas”, havendo à altura das eleições europeias “80% de pessoas que achavam que o PSD não iria ganhar as legislativas”.

Focando-se nas medidas para os próximos quatro anos que a coligação propõe, o primeiro-ministro prometeu acabar com a sobretaxa, medida que poderia já ter sido aplicada de acordo com o memorando da troika, assim como baixar o IRC. Passos Coelho prometeu que o aumento do emprego irá liderar o crescimento da economia; no entanto, mostrou-se preocupado com a sustentabilidade da Segurança Social e com as medidas propostas pelo Partido Socialista. Para o chefe do executivo, as políticas assentes no “consumo interno” podem levar a um regresso ao passado, como nas “três vezes” em que a situação de crise já aconteceu, nos 41 anos de democracia.

Passos Coelho Paulo PortasPassos Coelho referiu ainda que não há divisões entre a coligação, que diz ser a maior hipótese de estabilidade para Portugal nos próximos quatro anos. Para o primeiro-ministro, o PS “não tem nenhuma perspetiva de coligação à esquerda”, e quem ganhar as eleições deverá tentar ganhá-las com maioria absoluta.

A situação grega

Pedro Passos Coelho respondeu também a questões sobre a situação grega. Para o primeiro-ministro, “houve sempre unanimidade no Eurogrupo” quanto a este assunto. Na linha de declarações anteriores, Passos sublinhou também que “a Grécia teve condições que nenhum outro país europeu teve” para cumprir as metas, dado que”não paga juros durante 10 anos dos empréstimos europeus”.

Recordando que o que existe neste momento é apenas um “acordo de princípio”, Passos Coelho mostrou esperança de que Tsipras faça tudo para se “bater para o cumprir” e de que a hipótese do Grexit possa ser afastada de vez.

Passos recusou-se a fazer comentários sobre as eleições presidenciais de 2016, pelo menos até outubro.

Descomplicador:

Em entrevista à SIC, o primeiro-ministro português falou dos últimos quatro anos, das medidas que se seguirão se for reeleito e da situação grega.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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