Grécia: e depois do acordo?

Alex Tsipras assinou na manhã desta segunda-feira o acordo que permitiu à Grécia aceder a um novo resgate, acompanhado de mais austeridade nos próximos três anos. As negociações foram difíceis e Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, teve de elevar a voz e impor-se para que Tsipras e Merkel continuassem à mesma mesa e fechassem as negociações. Depois do alívio por o Grexit ter sido, pelo menos para já, evitado, começam a surgir novas dificuldades. O que é que Tsipras vai ter de enfrentar daqui para a frente?

1. Tsipras não acredita no acordo que assinou

Para começar, o primeiro-ministro grego não acredita no próprio acordo a que se chegou na cimeira do euro. Numa entrevista à televisão estatal grega, Tsipras explicou que assinou o acordo “para evitar o desastre para o país, o colapso dos bancos”, e por isso assume responsabilidade por ter assinado um texto em que não acredita. Apesar de achar que as medidas que vai ter de impor no seu país são “irracionais”, Tsipras afasta, de momento, a possibilidade de se demitir: “não tenho razões para convocar eleições, dependerá do que se passar no meu partido, no nosso parceiro (de Governo)”. No entanto, se o Syriza não demonstrar apoio ao seu líder, Tsipras tem dúvidas sobre se pode continuar como primeiro-ministro”.

Tsipras afirmou ainda que “a Grécia foi apanhada numa rua de sentido único” e obrigada a aceitar pontos que o Syriza rejeitava há muito tempo como os que dizem respeito aos cortes nas pensões ou ao aumento do IVA em diversos setores.

2. O FMI contraria a União Europeia

tsiprasApenas dias depois de ter sido assinado o tão esperado acordo, o Fundo Monetário Internacional vem dizer que a Grécia necessita de um alívio da dívida que vá “muito além” do que a União Europeia prevê. Segundo o FMI, há três possíveis cenários: um período de carência de trinta anos para a dívida aos fundos europeus e a extensão dramática das maturidades, transferências anuais para o Orçamento do Estado grego ou então um corte da dívida.

De recordar que no acordo se fala apenas da reestruturação da dívida a partir de 2022 e como tal Tsipras veio já defender que este relatório dá razão aos seus argumentos e à necessidade de reestruturação defendida desde o início sobretudo pelo anterior ministro das Finanças, Yanis Varoufakis.

3. Os bancos continuam encerrados

O governo grego decidiu prolongar o encerramento dos bancos por mais um dia, até esta quinta-feira. No entanto, Alex Tsipras admite que o balcões possam estar encerrados ao público durante mais um mês – sendo que esta é uma das medidas que o FMI avisa serem prejudiciais para o controlo da dívida. Os balcões estão encerrados, excepto para receção de reformas, desde 29 de junho.

4. Problemas internos no Syriza não páram

Alex TsiprasO acordo tem o apoio de menos de metade dos deputados do partido maioritário, sendo que provavelmente vai ser passado no parlamento grego devido à aprovação dos partidos pró-europeus da oposição. Esta quarta-feira demitiu-se a ministra-adjunta das Finanças por não poder ser conivente com os termos do acordo, após a demissão do anterior ministro das Finanças.

Descomplicador:

Após ter surgido o fumo branco nas negociações entre a Grécia e os credores, as dificuldades para o Syriza, seja de forma externa ou interna, continuam ser dar tréguas.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *