As palavras que Passos mantém ou muda em tempo de eleições

Em tempo de eleições, os governantes ou aspirantes a governantes são escrutinados com mais atenção por parte de quem governam e da comunicação social; pede-se coerência, ouvem-se promessas e procuram-se falhas e mentiras. Com as eleições legislativas a poucos meses de distância, o Panorama analisa casos em que o discurso do primeiro-ministro, cuja bandeira é a estabilidade, manteve, ou não, a sua palavra durante toda a legislatura.

1. O mito urbano da emigração

Passos Coelho“Há uns quantos mitos urbanos, um deles é que eu incentivei os jovens a emigrar. Eu desafio qualquer um a recordar alguma intervenção ou escrito que eu tenha tido nesse sentido”. Foi em junho deste ano que o primeiro-ministro proferiu estas declarações, demarcando-se de uma das grandes polémicas do mandato. Os jornalistas aceitaram o desafio e foram à procura das intervenções concretas.

Em 2011, no início do seu mandato, Passos Coelho respondeu à questão colocada pelo Correio da Manhã sobre se aconselharia os professores “excedentários” a “abandonarem a sua zona de conforto e a “procurarem emprego noutro sítio” concretizando melhor esse conselho: “em Angola e não só. O Brasil tem também uma grande necessidade ao nível do ensino básico e secundário”.

O primeiro-ministro disse este ano que as declarações foram feitas no sentido de não “estigmatizar” aqueles que procuram novas oportunidades. A oposição não ficou convencida e o PS acusou o chefe do executivo de estar a ser atacado por “uma epidemia de desmemorização”.

2. “Que se lixem as eleições”

Uma postura que Passos mantém é a de querer colocar os interesses do país à frente de resultados eleitorais positivos. Na entrevista da semana passada à SIC, o primeiro-ministro voltou a afirmar que se orgulha da sua “previsibilidade”, pois demonstra coerência na forma como governa os destinos do país.

Esta terça-feira, Passos voltou a dizer, desta vez aos deputados sociais-democratas, que não troca “prudência e confiança” por resultados eleitorais. A intervenção fez lembrar a famosa ocasião, num jantar do grupo parlamentar do PSD, em 2012, em que expressou a mesma ideia de forma mais contundente: “que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal”.

3. A posição na Europa

Passos CoelhoA contribuição portuguesa para a discussão sobre a reforma da zona euro, levada a cabo no fim do mês de junho no Conselho Europeu, foi outro exemplo de uma mudança de posição de Passos já no fim da legislatura. O documento que apresentava as ideias do executivo português contou com a influência de Poiares Maduro e falava de criar instrumentos europeus para enfrentar de forma coletiva choques futuros, como um orçamento próprio dependente de recursos próprios.

Passos não revelou o documento de forma pública, mas começou a introduzir as ideias na conferência em Florença, em junho, em que apresentou a ideia de um Fundo Monetário e Orçamental Europeu para a zona euro.

Apesar de Passos Coelho insistir em demarcar-se da Grécia e até em aconselhar o país helénico à luz da experiência portuguesa, o primeiro-ministro surpreendeu por desta vez se apoiar na integração e apoio entre a União Europeia.

4. O fim da crise

Se há coisa que não tem mudado é o anúncio do fim da crise. Tal como o seu ministro da Economia, Pires de Lima, Passos tem feito desde 2012 anúncios de viragem económica, em ocasiões como o fim da intervenção da troika em Portugal ou o desempenho económico do início de 2013. Em tempo de eleições, apesar de defender as medidas de austeridade e não se arrepender de ser associado às “decisões difíceis”, começa a prometer algum alívio no IRC e a eliminação da sobretaxa para o próximo mandato. No fim do ano passado, Passos falava já da crise no passado: “a crise económica não agravou as desigualdades, houve até uma tendência para corrigir algumas delas”.

Descomplicador:

O Panorama faz o balanço de alguns pontos centrais do discurso do primeiro-ministro ao longo destes quatro anos de mandato.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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