Portas fala de tendência “positiva” no emprego

Paulo Portas disse hoje, em entrevista à SIC, que sabe que o saldo da legislatura no que toca a emprego é negativo. No entanto, o vice primeiro-ministro escolheu sublinhar, em vez disso, a tendência “mais positiva” neste ponto, recordando que no início do mandato o governo se deparou com valores de 17,5% de desemprego, reduzidos agora a 13%. Questionado por Clara de Sousa sobre o emprego destruído, Portas adoptou a mesma estratégia do líder do executivo, que afirmou na semana passada que “entre 2005 e Junho de 2011, o PS destruiu 236 mil postos de trabalho“, e responsabilizou o Partido Socialista. “Depois do resgate e daquela recessão, não era possível que o desemprego não aumentasse nos países que caíram na bancarrota”. Assim, Paulo Portas responsabiliza “quem trouxe o resgate, memorando e recessão a Portugal por aquilo que aconteceu do ponto de vista do emprego”. Para mais, Portas afirmou que o PS não faz qualquer “revisão crítica” à crise de 2011 e desafiou António Costa a admitir os erros cometidos na altura.

Paulo PortasOutro ponto quente foi a crise de 2013 dentro da coligação, que ficou conhecida como o episódio em que Portas apresentou um pedido de demissão “irrevogável”, para depois voltar atrás. O líder do CDS-PP afirma agora que na altura cometeu um erro de avaliação para com Maria Luís Alburquerque – Portas quis demitir-se na sequência de o nome da atual ministra ter sido apresentado – e que a relação dos dois é hoje em dia próxima e “bem-disposta”. Paulo Portas admitiu “ter revogado o irrevogável” e estar, portanto, a pagar o preço de ter voltado atrás, quando questionado sobre a credibilidade que lhe restou após o incidente.

Portas mostrou-se confiante na coligação e nas suas políticas, prevendo um futuro de “normalidade” – recorde-se que foi este ano que Portas apelou a que os portugueses deixassem o CDS governar num contexto que não fosse o de crise. Querendo “lutar” pela coligação, Portas assumiu que após a crise política de 2013 a união entre os dois partidos se solidificou.

O vice primeiro-ministro falou ainda do futuro do seu partido. Lembrando que é líder do CDS por vontade de 90% dos militantes, Portas afirmou, ainda assim, que existem muitos possíveis substitutos para o cargo que ocupa há já quinze anos: entre eles, “Nuno Melo, Assunção Cristas, Cecília Meireles, Pedro Mota Soares, João Almeida, Adolfo Mesquita Nunes, Telmo Correia e Nuno Magalhães”. Apesar de a sucessão não ter sido aberta, o governante disse que estas opções lhe transmitem “tranquilidade”.

Portas aproveitou ainda para deixar um “enorme obrigado de reconhecimento” aos portugueses pelos sacrifícios dos últimos anos, depois de ter também reconhecido que a nova geração sofre com a “violência” de problemas trazidos por dívida que não aprovou.

Descomplicador:

Paulo Portas falou hoje, em entrevista à SIC, do desemprego, da sitação da coligação e da liderança do seu partido.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *