Depois da polémica, presidente do PS Madeira deixa elogios a António Costa

Carlos PereiraCarlos Pereira esteve recentemente envolvido numa polémica com António Costa devido à realização das listas de candidatos a deputados para as legislativas de 4 de Outubro. Corrigida a situação, o candidato a deputado deixa agora em declarações ao Panorama elogios ao Secretário Geral do PS de quem diz ser o “politico mais bem preparado para ser Primeiro-Ministro em Portugal”.

António Costa escolheu Bernardo Trindade para cabeça-de-lista do circulo da Madeira, mas Carlos Pereira, recentemente eleito presidente do partido na região autónoma mostrou-se frontalmente contra a escolha do Secretário-Geral, levando mesmo a que Bernardo Trindade colocasse à disposição o seu lugar.

Agora que as listas foram já feitas pelo Partido Socialista da Madeira, com Carlos Pereira como cabeça de lista, o presidente do PS Madeira deixa em declarações ao Panorama muitos elogios a António Costa afirmando que “tem muita experiência de Governo e autárquica além de um percurso notável na Assembleia da República”, afirmando ser o “politico mais bem preparado para ser Primeiro-Ministro”.

Carlos Pereira que apesar de ter iniciado a sua actividade politica em 2005 só se inscreveu como militante do Partido Socialista em 2011, sendo agora líder do PS Madeira. Sobre o projecto do partido para as legislativas, Carlos Pereira afirma ao Panorama que “está a construir um projecto de gente preparada, com notoriedade social e com a dinâmica necessária para obter um bom resultado nas legislativas”, acrescentado que o partido quer dar o seu “contributo para ajudar a eleger o António Costa como Primeiro-Ministro e, ao mesmo tempo, oferecer aos madeirenses a resolução alguns dossiers que o PSD/CDS se recusam a resolver”.

“Está por concretizar a democracia plena porque a sensação é que vivemos num modelo político de partido único”

Carlos Pereira lançou recentemente um livro acerca da dívida na Região Autónoma da Madeira, que foi apresentadoA Heranca em Lisboa depois do lançamento na Madeira. Ao Panorama, Carlos Pereira mostra-se ainda assim descontente com a situação politica que classifica de “modelo politico de partido único”, e tem como principal objectivo “construir um projecto de poder alternativo onde seja possível concretizar a que alternância democrática”.

O líder do Partido Socialista na Madeira critica ainda o facto de não ter existido uma “alteração de estratégia ou de pensamento politico”, acrescentando que “o Miguel Albuquerque está a governar com um orçamento aprovado pelo PSD Madeira de Jardim”, garantindo ainda que “o programa de governo de Albuquerque (já aprovado) é, em alguns casos, cópia do programa de Jardim, por isso naquilo que é essencial para o povo da Madeira, que é a mudança de política, de opções e de prioridades julgo que ainda muito pouco foi obtido”. 

Ainda assim, Carlos Pereira elogia o processo de “consolidação de regras básicas de democracia”.

“A ocultação da divida fez disparar os alarmes e revelar que além da responsabilização política talvez se deva analisar no quadro do foro criminal”

O livro a Herança é assim um conjunto de análises da situação económica e financeira da Região Autonóma da Madeira, que Carlos Pereira diz “não ter nenhum motivo politico ou partidário” e tendo como principal objectivo recordar o “branqueamento político que estava a ocorrer sobre as verdadeiras razões da falência da Madeira e da construção de uma divida colossal que resultaram no plano de resgate”.

Carlos Pereira lamenta que “o Governo de Jardim tenha tido disponível 23 mil milhões de euros em 12 anos entre impostos, transferências da república e da UE e divida , mas infelizmente o estado passou para níveis de riqueza anteriores ao ano 2000” para além de que “esta atitude tenha levado a Madeira a perder 1000 milhões de euros de fundos para investimento e hoje enquanto os Açores que tem 71% da média do PIB da UE aufere de 1600 milhões de euros de fundos europeus , a Madeira com 74% tem apenas 800 milhões”.

O líder do PS Madeira propõe assim que “o estado deve integrar a divida da Madeira numa operação de substituição de divida. Em segundo lugar, e tendo em conta que a maior parte do endividamento da RAM é junto da Banca, a Madeira deve criar uma operação para reestruturar toda essa divida, através de um sindicato bancário e com o aval do estado: reduzindo custos e aumentando prazos” e para concluir deve transformar os “mais de 1000 milhões de euros de divida ainda divida comercial em divida financeira, pagando a totalidade das dívidas aos fornecedores”.

“O PS Madeira está escancarado à sociedade”

No congresso que elegeu recentemente Carlos Pereira como presidente do partido na região autónoma, o líder afirma ao Panorama que “é preciso que o PS Madeira reconheça que o caminho traçado não foi bem sucedido porque cometeram-se alguns erros de análise com consequências graves” querendo agora que “tudo o que for bom para a Madeira é bom para o PS, esta deve ser a nossa máxima”.

Como principal destaque desta nova estratégia, Carlos Pereira revela que criou “o Conselho consultivo que envolve mais de 50 independentes em várias áreas, revelando um partido completamente escancarado à sociedade”.

Carlos Pereira foi vereador da Câmara do Funchal desde 2005, tendo-se inscrito no PS em 2011, sendo ainda deputado do PS na Assembleia Legislativa da Madeira para além de desempenhar também funções de consultor independente da Comissão Europeia.

Descomplicador:

O líder do PS Madeira, Carlos Pereira, deixou elogios ao secretário-geral do partido, António Costa, em declarações exclusivas ao Panorama. Depois da polémica gerada pela primeira lista de candidatos apresentada pelo líder socialista e com a qual Carlos Pereira não concordava, o assunto parece agora estar resolvido.

Publicado por: José Pedro Mozos

22 anos, natural de Lisboa. Aos dezasseis anos percebeu que a sua vocação era o jornalismo. Licenciado em jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Socia e pós graduado em Jornalismo Multiplataforma pela FCSH - Universidade Nova de Lisboa. Foi comentador num programa da rádio da sua faculdade sobre actualidade política; editor de música da ESCS Magazine e escreveu para o site Bola na Rede. Acredita no jornalismo como sendo um dos pilares de qualquer democracia. Atualmente, é jornalista na SIC Notícias.

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