Atualizado: Casa de Ricardo Salgado é guardada por quatro agentes

O regime de prisão domiciliária sem pulseira eletrónica vai dar lugar a um controlo nos acessos à casa de Ricardo Salgado feito por quatro agentes por dia. Dado que o ex-presidente do BES só pode deixar a sua habitação por motivos graves e inadiáveis, e com autorização do juiz Carlos Alexandre, vai haver um total de quatro turnos de seis horas cada para guardar a residência. O sindicato já contestou o sistema, dizendo que vai trazer consequências negativas para o policiamento em Cascais.

Ficou a saber-se também este domingo que o Ministério Público não pediu a prisão domiciliária para Salgado. Os procuradores queriam apenas que o banqueiro fosse impedido de se ausentar do país ou de contactar outros arguidos do caso. Fica então esclarecido que foi o juiz Carlos Alexandre quem pediu a medida de coação para Ricardo Salgado.

O ex-presidente do BES viu-se a partir desta sexta-feira obrigado a “permanecer na sua residência”. Após ter sido constituído arguido no caso BES esta segunda-feira, Ricardo Salgado foi interrogado durante doze horas pelo juiz Carlos Alexandre, uma vez que o Ministério Público pretendia a imposição de uma medida mais dura do que o termo de identidade e residência, além de se evitar assim o perigo de destruição de provas e interferência na investigação. No entanto, Ricardo Salgado pode prescindir do uso da pulseira eletrónica e deixar a sua residência, se for dado um aviso prévio ao juiz e este der autorização.

A nota da Procuradoria que fornecia estas informações dava também conta de que existem “seis arguidos” no âmbito do caso, indiciados por suspeita dos seguintes crimes: falsificação, falsificação informática, burla qualificada, abuso de confiança, fraude fiscal, corrupção no setor privado e branqueamento de capitais.

O ex-presidente do Banco Espírito Santo foi detido há um ano no âmbito do caso Monte Branco para ser ouvido também pelo juiz Carlos Alexandre. Nessa altura, pagou três milhões de euros para ficar em liberdade. Agora, o advogado de Ricardo Salgado já anunciou que vai recorrer da decisão, por considerar a medida de coação “desproporcionada”. Proença de Carvalho sublinhou ainda aos jornalistas que “as coisas não são como começam, são como acabam” e concluiu de forma contundente: “não aceitamos julgamentos sumários de ninguém e vamos bater-nos ao máximo pela defesa do dr. Ricardo Salgado”.

Descomplicador:

Um ano depois de ter sido detido para interrogatório no âmbito do caso Monte Branco, Ricardo Salgado é agora constituído arguido no caso “Universo Espírito Santo” e penalizado com prisão domiciliária, ainda que com possibilidade de deixar a sua residência com autorização do juiz.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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