Abandono escolar: começaremos a inverter a tendência?

Ministério da EducaçãoO ensino superior nacional apresenta alguns problemas que afetam diretamente os estudantes e que condicionam o resultado do investimento realizado neste setor. Um deles, que nos afeta particularmente, é o abandono escolar no ensino superior. Os dados do abandono escolar apresentados pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência refletem o abandono, em 2013/2014, de cerca de 6800 estudantes do Ensino Superior, estudantes esses que se tinham inscrito no primeiro ano/primeira vez, em 2012/2013. No fundo, após um ano, tinham abandonado os ciclos de ensino superior cerca de 10,4% dos estudantes inscritos.

Estes números são preocupantes e os motivos são diversos. É óbvio que uma parte será devido a restrições financeiras e a carência económica, situações às quais o Estado não se pode demitir de dar um verdadeiro suporte de acompanhamento financeiro aos estudantes provenientes de meios mais carenciados, cujos agregados familiares comprovadamente não sejam detentores de rendimentos suficientes para frequência de um estudante no ensino superior.

Ensino SuperiorNo entanto, parte do abandono pode ser pode ser invertido pela responsabilidade das instituições, na medida em deveria existir um maior acompanhamento aos estudantes, logo desde o primeiro ano, aliado a uma monitorização do seu percurso académico em busca de indicadores preditivos de abandono escolar através, por exemplo, da identificação de estudantes que não cumpram um determinado número mínimo de ECTS, que faltam sistematicamente às aulas ou que deixem de pagar determinada prestação de propina. É essencial corrigir o problema a montante, evitando que estes jovens abandonem o ensino superior. Há assim um conjunto de boas práticas que são levadas a cabo por algumas instituições que devem ser replicadas por todas elas, pois existem pormenores e medidas que, não tendo custos financeiros associados, poderiam ajudar em muito a combater preventivamente o fenómeno do abandono escolar.

Por isso, defendemos que mais importante do que resolver os atuais casos de colegas que abandonaram o ensino superior através de programas de recuperação como o Programa Retomar que têm uma aplicação limitada, importante será dar as condições a todos os estudantes para que prossigam estudos sem sobressaltos a nível financeiro, promovendo um maior acompanhamento por parte das instituições, dos docentes e dos próprios colegas.

Este trabalho contribuiria certamente para uma diminuição da frustração de expectativas por parte do estudante que sai do sistema sem concluir a tão almejada formação superior e não representa nenhum avanço para os objetivos do país, muito embora já tenham sido investido nele verbas de todos os contribuintes que acabam assim desperdiçadas. O abandono escolar representa perdas sistemáticas para todos os intervenientes: todos saem a perder por cada estudante que abandona o sistema de ensino superior, seja qual for a razão desse abandono. Temos de unir esforços para inverter a tendência!

Publicado por: Daniel Freitas

Presidente da Federação Académica do Porto. Mestre em Engenharia Informática e de Computação pela Faculdade de Engenharia do Porto e actualmente a estudar Engenharia de Serviços e Gestão.

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