Paulo Borges na corrida a Belém. Ex-PAN entende apoio do partido a Manuela Gonzaga

Paulo Borges fundou em 2009 o Partido dos Animais e da Natureza (PAN) do qual saiu em 2014 desiludido com o funcionamento interno das estrutura e do funcionamento dos partidos políticos. Este ano, o professor universitário de filosofia, lançou a sua candidatura a Belém, uma candidatura que diz ao Panorama ser “para libertar a democracia da partidocracia e contribuir para dinamizar a sociedade para o bem comum (incluindo a Terra e todos os seres vivos) com independência dos governos, dos partidos e das instituições oficiais”.

Paulo Borges PAN

O movimento Outro Portugal Existe é assim o movimento de cidadania que dá suporte à candidatura presidencial de Paulo Borges, que deixou o PAN desiludido com o modo de funcionamento dos partidos, criticando o “modelo partidário e a democracia representativa, que promove o carreirismo dos candidatos a deputados (escolhidos pelas cúpulas partidárias sem qualquer democracia nem transparência) e a passividade e conformismo dos eleitores, que apenas são chamados de 4 em 4 anos a votar em quem não conhecem e que os ignorará nos 4 anos seguintes”.

Ao Panorama, Paulo Borges afirma que “independentemente do resultado final desta candidatura, de chegar ao fim e dos números eleitorais, consideramos desde já um triunfo ela existir e servir de rampa de lançamento para um movimento de cidadania, chamado Outro Portugal Existe, que visa dar visibilidade e força ao Portugal profundo, sufocado pelo Portugal institucional, pelos governos, pelos partidos e pela comunicação social”.

Paulo Borges considera assim que o maior triunfo é “a própria candidatura, a campanha, o debate gerado, a introdução de novos temas na agenda social e política e, sobretudo, as sementes de futuro, pois esta candidatura, ao contrário das demais, que se esgotarão no dia das eleições, é como referi um movimento apartidário em prol do bem comum que não parará de crescer”.

Ciente das dificuldades de “um sistema blindado, que visa afastar os cidadãos da participação cívica para alimentar a partidocracia cultivada por todos os partidos, de direita, centro ou esquerda”, segundo diz ao Panorama, Paulo Borges pretende “estimular a sociedade para a importância de valores como o da autogestão, da descentralização governativa, das comunidades locais e regionais se organizarem para viverem já de uma forma mais ética, mais saudável, mais autossustentável”. O fundador do PAN remete a apresentação formal da candidatura em Setembro ou Outubro, querendo para já “não perder tempo”, ao lançar a candidatura online.

Paulo Borges esclarece ainda que ao movimento Outro Portugal Existe têm-se vindo a juntar voluntários que vão colaborar na recolha de assinaturas e na organização logística da candidatura, que pretende divulgar com “iniciativas diferentes, fora dos esquemas convencionais e do politicamente correcto, que serão em breve divulgadas”, acrescentando ainda que nada tem a não ser “as pessoas, tendo em conta que esta é uma candidatura da cidadania activa, que não tem máquinas partidárias nos bastidores”.

O apoio do PAN a Manuela Gonzaga: “Desfiliei-me do PAN e não me inibi de tornar públicas as razões que me levaram a sair”

Paulo Borges PANRecentemente o Partido dos Animais e Natureza, agora oficialmente chamado Pessoas-Animais-Natureza declarou o seu apoio nas eleições presidenciais a Manuela Gonzaga, situação que ao Panorama, Paulo Borges considera normal tendo em conta que “desfiliei-me do PAN e não me inibi de tornar públicas as razões que me levaram a sair (a mim e a muitos) e a confirmar a minha descrença no modelo partidário e na democracia representativa”, considerando assim natural que o partido “apoie naturalmente a candidatura de uma militante e dirigente sua, o que faz dessa candidatura uma candidatura partidária, obediente à estratégia de um pequeno partido, longe da liberdade que assume como lema e estranha ao espírito independente e supra-partidário que devia ser o de toda a candidatura presidencial”.

Com os objectivos da sua candidatura, Paulo Borges acredita que a sua candidatura não recolha o apoio de nenhum partido “pois é uma candidatura rigorosamente independente que é simultaneamente um movimento apartidário que visa libertar a democracia da partidocracia”.

Descomplicador:

Paulo Borges, fundador do PAN, agora já sem filiação, apresentou a sua candidatura a Belém lançando um movimento apartidário que não quer ver esgotado nas eleições de 2016. Ao Panorama, o agora candidato presidencial vê de forma natural o apoio do partido que fundou a Manuela Gonzaga.

Publicado por: Miguel Dias

Licenciado em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social. Assessor de comunicação numa federação desportiva, colabora com a imprensa regional na sua cidade, Almeirim e criou um conjunto de projectos temporários sobre politica local e nacional. Fundou ainda uma rádio regional e é comentador convidado de ténis da Eurosport.

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