Paul Krugman avisa: Portugal em “espiral de morte económica”

Paul Krugman avisou, num recente post do seu blog associado ao New York Times, que a “crise da dívida de Portugal” se assemelha alarmantemente “ao gatilho que desencadeia uma espiral de morte económica”. O Nobel da economia, que se tem mostrado publicamente contra as medidas de austeridade tomadas na zona euro e especialmente em Portugal, falava da mobilidade do trabalho.

1102_paul-krugman-economists_650x455Paul Krugman usou o caso de Portugal para ilustrar que esta mobilidade, de que se fala como “uma coisa boa e um pré-requisito para uma união monetária”, pode ser um fator negativo para a economia do país, que o economista considera enfrentar uma “tempestade demográfica”. Para o Nobel, no caso de Portugal existe uma “economia deprimida” responsável por uma “emigração em larga escala de portugueses em idade de trabalho (acompanhada de uma fertilidade baixa), reduzindo a base fiscal, tornando ainda mais difícil a saída da crise. Não é fácil de saber o que isto vai dar, antes de nos vermos a braços com os restos de uma nação de idosos sem recursos para cuidar deles”.

O contexto para as críticas de Krugman vem do tema do artigo, a Teoria da Área Monetária Ótima, que o Nobel classifica como uma “área antiquada da macroeconomia” que se tornou extremamente relevante desde 2008. Discute-se assim se a mobilidade laboral melhora ou prejudica ou união monetária. Para Robert Mundel, também Nobel da Economia, a mobilidade laboral assegura que os choques entre regiões sejam tenham menos impacto. No entanto, aos olhos de Krugman, não havendo uma integração orçamental, estes benefícios não se concretizam.

Paul Krugman afirma mesmo que o Ato Único Europeu criou “todo um novo tipo de catástrofe”, devido à má gestão de uma integração orçamental das diferentes economias dos estados-membro.

Em 2013, o Nobel da Economia falava já concretamente do caso português, considerando que Portugal viva um “pesadelo” e que não seria possível ultrapassar os problemas estruturais do país “condenando ao desemprego” milhares de trabalhadores.

Descomplicador:

Paul Krugman voltou hoje a falar do caso português, avisando sobre uma mobilidade laboral negativa que pode conduzir a uma “espiral de morte económica”.

Publicado por: Mariana Lima Cunha

21 anos, natural de Oeiras. Licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação e Marketing Político pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Jornalista online do Expresso

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