O poder da qualificação superior – uma prioridade para o país

Na discussão da importância e pertinência para um país do Ensino Superior e da Ciência são batidos e rebatidos diversos argumentos e pontos de vista que culminam, indubitavelmente, numa opinião positiva, generalizada e consensual do quão importante é a formação superior para o crescimento e desenvolvimento pleno dos cidadãos. Desta feita, a temática abordada passa quase a ser um “não assunto” pela relevância atribuída a tal missão educacional.

Ensino SuperiorPois bem, face a tanta concordância em torno do tema é fácil aceitar que a educação (superior e não superior) seja entendida como um vetor estratégico de um país como o nosso, onde existem os compromissos com a Estratégia 2020, sendo exemplo a exigência de 40% dos cidadãos entre os 30 e os 34 anos com um diploma de ensino superior. A verdade é que nem sempre assim o é. Estes valores estão ainda longe de ser alcançados, cifrando-se hoje perto dos 30% e com alguma incerteza em relação ao seu cumprimento.

Parece assim que o óbvio ponto de partida da temática da importância do ensino superior fica tantas vezes fragilizado na execução prática. Devemos entender que o desenvolvimento dos jovens (e dos menos jovens), num mundo global cada vez mais competitivo reside, em grande parte, na qualidade da sua formação, refletindo uma verdadeira manifestação de crescimento. E para se atingir tal resultado é necessário tornar o ensino superior uma prioridade.

A massificação e democratização do ensino superior contribuíram para um grande aumento do número de estudantes, combatendo a elitização do superior tão característica do estado ditatorial que cessou com o 25 de abril de 74. Assim, para lá do número absoluto de jovens a estudar ser maior, também é verdade que são por demais evidentes as vantagens do ensino superior para os que concluem a sua formação: a taxa de desemprego é menor entre os cidadãos com formação superior e a remuneração de um cidadão com um diploma de ensino superior é em média maior do que aqueles que não dispõe dele. Encontramo-nos perante o mais eficaz elevador social dos nossos tempos, sendo fundamental refletir na importância de proporcionar tais condições ao maior número de jovens possível.

Ensino SuperiorDesta feita, compreende-se que é essencial, num período em que se prepara a próxima legislatura, assumir inequivocamente a educação e o ensino superior como prioridades estratégicas para o país. Deve ser preparado o espaço, feitas as reflexões e avaliações que permitam avançar com propostas que se traduzam num progressivo aumento do financiamento no setor e num melhor aproveitamento dos recursos existentes (reorganização da rede, definição clara do futuro do sistema binário, integração de escolas não integradas, como exemplos). Da mesma forma, urge estabelecer como prioritária uma aposta numa ação social que permita apoiar os estudantes na exata medida das suas necessidades e voltada para um combate efetivo e preventivo ao flagelo do abandono escolar.

Em suma, exige-se ao próximo Governo, ciente da importância da formação superior, um comprometimento sério, fazendo da educação uma verdadeira prioridade com o objetivo claro de apostar num país em crescimento, nos jovens que serão o futuro e na sua formação e desenvolvimento para que possam dispor das competências de topo que lhes permitam enfrentar sem dificuldades os desafios do amanhã.

Publicado por: Daniel Freitas

Presidente da Federação Académica do Porto. Mestre em Engenharia Informática e de Computação pela Faculdade de Engenharia do Porto e actualmente a estudar Engenharia de Serviços e Gestão.

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